segunda-feira, dezembro 26

Listas


A última semana do ano é propícia a balanços.  A necessidade de estabelecer alguma ordem, de enumerar, de partilhar, é comum a quase todos nós. Sempre se fizeram listas. De uma maneira ou de outra, toda a gente as faz. 
As minhas escolhas.

5 livros: 
                                  . Hitler, Ian Kershaw
                                  . Liberdade, Jonathan Franzen
                                  . Indignação, Philip Roth
                                  . Teatro de Sabbath, Philip Roth
                                  . Verão, J. M. Coetzee 


5 canções:
                                . Billie Holiday, Strange Fruit                               
                                . Sufjan Stevens, "John Wayne Gacy Jr"
                                . Philippe Jaroussky with L'Arpeggiata, Si Dolce, Monteverdi
                                . Cristina Pluhar e Arpeggiata, la Spagnola 
                                . Omara e Emilio Morales, Dos gardenias, em Montreal

5 + 1 coisas:
                                   
                                   . Crónicas de Manuel António Pina, no JN
                          . Blogs Ana de Amsterdam e Tempo Contado
                                   . El País
                                   . Barcelona de Guardiola e Messi
                          . Golfe na Aroeira
                                    . O meu frágil Sporting

sábado, dezembro 24

Um branco puríssimo, imaculado.



No alto do Reigás o meu pai engatava a terceira, não fosse o gelo fazer das suas. No volkswagen azul levávamos o coração e as mãos a ferver de tanto brincar na neve. Descíamos cuidadosamente o monte. À terceira curva, de onde avistaríamos Vidago, lá no fundo, via-se um imenso e denso nevoeiro que tudo aplanava. Era quase sempre assim: geada atrás de geada e um frio de rachar que o nevoeiro perpetuava por dias sem fim. Mas neve, em Vidago, a tão desejada neve, essa, cercava-nos à distância do desejo.
Na semana do Natal, trocávamos as brincadeiras de rua pela escolha criteriosa do pinheiro e do musgo, pela colocação das figuras de barro no presépio de novo refeito, pelo borralho da braseira onde se torrava pão, pelo cheiro dos fritos que nos avisava da proximidade da madrugada das prendas no sapatinho.
Recordo-me que o dia de consoada era longo, muito longo. O repasto, excepcionalmente mais tarde, começava com o depenicar de uns macios bolos de bacalhau. Depois, entravam fumegantes postas de bacalhau cozido com batatas farinhentas do barroso e couve troncha passada pelo azeite e alho, que eram substituídas pela pequenada pelo polvo, também ele cozido. No fim, os doces – rabanadas de leite e água, jirimuns lambidos em suave calda de açúcar perfumada com pau de canela, línguas de abade, leite-creme bem marcado pelo ferro, pratos de aletria decorados com a mestria da minha mãe - enchiam de novo uma mesa ainda composta.
Íamos para cama muito cedo na tentativa de acelerar um relógio que naquele dia teimava em atrasar-se. Depois o sonho começava ainda com os olhos bem abertos e terminava abruptamente com um safanão do meu irmão. O Pai Natal era sempre muito generoso – arranjava sempre o fim mais desejado para os nossos sonhos.
Durante a missa de Natal, contávamos aos amigos as prendas recebidas e marcávamos encontro para a única matiné do ano. Bem, naquele Natal de 67, depois de um almoço tradicional – o divinal Cabrito Assado no Forno – entrámos para o Cine-Vidago do senhor Germano, para ver mais um filme do Cantinflas. Eram só miúdos e a algazarra só parou ao acender das luzes coloridas que indicavam o início da projecção. As gargalhadas sucederam-se de princípio a fim e quando saímos… bem, quando saímos, fomos encontrar um incrível manto de neve de um branco puríssimo, imaculado, acabado de cair, que nos fez os miúdos mais felizes do mundo!

quarta-feira, dezembro 21

Ricky Gervais e Louis C.K.



Provavelmente os melhores e mais bem pagos humoristas da actualidade. Juntos neste episódio hilariante. O riso que brota precisamente da oposição entre o dramatismo das nossas vidas e a realidade alheia ao nosso mundo.

domingo, dezembro 18

quarta-feira, dezembro 14

¿Por qué el café sabe siempre bien en Portugal? (y aquí no)



Curiosa a crónica, e a unanimidade dos comentários, no blog de Paco Nadal, El País, sobre  ¿Por qué el café sabe siempre bien en Portugal? (y aquí no). Todos temos constatado isso! A qualidade do café servido em Portugal e a dificuldade em adaptarmo-nos aos aromas e paladares fora do país são motivo de regozijo (pelo nosso Delta) e de decepção, quando lá fora. Desapontados, tentamos justificar com argumentos que normalmente se prendem com os hábitos e tradições de cada lugar. Mas preferimos o nosso. E não somos só nós. Sabe melhor, assim.

domingo, dezembro 11

O que resta a Mourinho?


Se o resultado da época passada, 5-0, poderia ter parecido acidental, a derrota de ontem em Madrid, e no contexto extremamente favorável em que decorreu, mostrou, definitivamente, a incapacidade deste Madrid em jogar de igual para igual contra o Barcelona.
Para quem reclamou sempre os holofotes, para quem nunca se privou de dar lições, para quem se auto-intitulou The Special One, o que resta?
Estranhamente, muito pouco: fair-play.

domingo, dezembro 4

quarta-feira, novembro 30

Fernando Savater




Algumas ideias do filósofo e escritor Fernando Savater na Feira do Livro de Guadalajara. No El País.

Crisis económica: "En España funciona muy bien una ONG llamada familia".

Indignados."La indignación en principio es lógica cuando hay tantos jóvenes sin futuro. Lo raro es que no haya habido una autocrítica por parte de los ciudadanos. Cuando vivíamos como millonarios nadie se indignaba con el sistema político o económico. Cuando se pinchó la burbuja la gente se indignó porque el sistema ya no daba lo de antes. La indignación no conduce a nada. No se pueden resolver los problemas políticos con ética sino con buenas políticas".

Corrupción:"El verdadero problema no es la corrupción, sino la impunidad, la complacencia y la complicidad de la sociedad. La impunidad tiene un efecto social desmoralizador. Los seres humanos hacemos todo el mal que nos dejan. En los países donde hay menos corrupción es simplemente porque es más difícil. No es un asunto moral, es un problema de instituciones".

Narcotráfico:"Estar a favor de la despenalización de las drogas no es estar a favor de despenalizar el canibalismo. Las democracias americanas no pueden acabar con el tráfico de drogas, pero en cambio sí puede ocurrir al revés. La cruzada contra las drogas es irracional".

Ética: "Los seres humanos no estamos programados como el resto de los seres vivos. Los animales están más especializados que nosotros. No hay abejas surrealistas. Es nuestra imperfección la que nos permite hacer muchas cosas. El problema es qué cosas queremos hacer, qué tipo de personas queremos ser. La ética es la reflexión necesaria de un hombre condenado a la libertad".

sexta-feira, novembro 25

Dos Açores uma boa medida





Os pais irão ser responsabilizados activamente pelos deveres de assiduidade e de disciplina dosseus filhos. O decreto determina a aplicação de coimas para os que não cumprem. Tenho a certeza que terá repercussão imediata na vida das escolas açoreanas. Defendo esta medida há muitos anos e levá-la-ia um pouco mais longe: responsabilizava também os pais pelo insucesso injustificado dos seus educandos.


terça-feira, novembro 22

401 dólares


Kiah Kiean  


      Num post de maio, terminei perguntando de que cor seriam as bandeiras a desfraldar contra este estado de coisas que ninguém sabe objectivamente identificar, caracterizar, tão pouco catalogar. Nos últimos tempos, vivemos na angústia de não saber o que fazer, o que pensar, para onde apontar. Acontecem diariamente manifestações de indignados nas cidades mais improváveis;  chegam ao poder governos de tecnocratas não sufragados, em países de forte tradição democrática; alternam à direita e à esquerda por desgaste ou ineficácia em outros tantos países; surpreende a apropriação de reivindicações tão queridas da esquerda, como o fim dos paraísos fiscais ou a taxação sobre transações, por parte do presidente Sarkozy e a recusa destas mesmas medidas por parte Cameron; espanta, também, os recentes discursos inflamados do presidente Durão, fazendo lembrar a sua juventude maoista; e na terra de Mao - na China dos dois sistemas, a deslocalização de fábricas pelos mesmos motivos que as levaram a sair daqui. Há sempre outros países onde podem pagar menos.
    E este último problema, parece-me verdadeiramente a raiz de todos os males: a globalização económica sem critérios nem pudor. Um exemplo chocante no excerto do artigo de Leonídio Paulo Ferreira, no DN. Vale a pena ler na totalidade.
    Numa cidade do sul da China, "Sete mil trabalhadores protestavam contra uma série de despedimentos, prenúncio de uma deslocalização do Guangdong para outra província de mão-de-obra mais barata. É que o salário base mensal de 1100 yuans (173 dólares ou 128 euros) começa a ser demasiado alto para marcas que podem mudar num piscar de olhos o país onde fazem as suas encomendas.
    Na China, calcula-se que o salário mínimo anual ande já nos 1500 dólares. E vai subir. Ora, na Indonésia situa-se ainda nos 1027 dólares, no Vietname nos 1002 e na Índia nos 857. Na fila está a Birmânia, onde o custo anual de um trabalhador se fica pelos 401 dólares."


segunda-feira, novembro 21

Duas perspectivas optimistas


    
 Na imprensa de ontem:
                   de Anselmo Borjes, no DN:
               
                      e, no El Mundo, de Michio Kaku.
                              “Los pesimistas nunca han ganado una guerra

sábado, novembro 19

Inigualável


A expressão é serena, despojada, a luz suave e quente ilumina um rosto marcado pelo tempo; a quietude das mãos, estranhamente cruzadas ao regaço, contrariam as pinceladas soltas, largas e impressivas; o domínio técnico da cor é inigualável.
Este auto-retrato de Rembrandt é datado de 1669, ano da sua morte.

terça-feira, novembro 15

A recepção de Quaresma


Público

O que vou reter deste jogo não será, com certeza, a exibição desinspirada da Selecção nem os seus seis bonitos golos. Mas a “mudança de flanco” de Veloso que acabou aos pés de Quaresma, ainda na linha lateral de colete verde florescente. O passe de Veloso foi tenso, demasiado longo, para lá da linha, a recepção displicente de Quaresma magnífica, de frente para a bola, com o pé direito, suavizando a queda com dois pequenos toques de pé para pé, largando-a no relvado à mercê do defesa lateral bósnio.  

Para quem gosta de séries americanas



As séries como reflexo da sociedade norte-americana.

domingo, novembro 13

Sem o dinheiro somos como um corpo sem sangue



A tese de Anselm Jappe, no Atual, suplemento do Expresso, surpreende-me  e reduz a minha perspectiva, a minha perspicácia, tão agarradas e obcecadas pela conjuntura económica europeia, a nível da paróquia. Precisamos urgentemente de mais filosofia e de política. E o que diz o filósofo alemão de novo. Diagnostica a situação terrível em que nos encontramos. Alerta para a decomposição e fim do capitalismo e traça um cenário de desagregação assustador. O caso argentino e dos países de leste surgem como exemplos, mas a extensão a nível planetário aponta para um cenário apocalíptico. A tese do alemão parte da constatação de que o dinheiro só é “real” a partir do momento em que é expressão de um trabalho verdadeiramente executado e do valor no qual esse trabalho se representa. O resto do dinheiro, como ele diz, não é senão uma ficção. O colapso do sistema financeiro confrontar-nos-á com as consequências do facto de nos termos entregado, de mãos e punhos atados, ao dinheiro. Sem ele, diz, somos como um corpo sem sangue.
Anselm Jappe não tem soluções. Aponta, teme uma longa e dolorosa aprendizagem para uma sociedade pós-dinheiro. E isso é assustador.

quinta-feira, novembro 10

Privatização absurda


Três empresas públicas na corrida à EDP. (Público). Alemães, chineses e brasileiros na corrida à eléctrica nacional. (SIC N)
Só espantará os incautos.

quinta-feira, novembro 3

Perspectiva das Coisas II, na Gulbenkian

Cíclames, 1937

Perante a natureza-morta de William Nicholson lado a lado com o jarro cerâmico nela representado, a pergunta da guia saiu solta e oportuna, preferem o jarro ou a representação de Nicholson? Solta e unânime foi também a escolha do grupo de alunos - a obra do pintor.

domingo, outubro 30

Noruega

El País

Se o modelo para uma sociedade mais justa e igualitária aponta a norte, para os países escandinavos (como referi em post anterior), este artigo do El País sobre a Noruega mostra, inequivocamente, o rumo a tomar e a dura constatação da direcção que seguimos. Porque rumamos para outras paragens?


"...con un profundo sentido comunitario que apuesta por el bien de todos, la igualdad, la solidaridad y, sobre todo, la confianza en el Estado niñera, que se ocupa sin grietas aparentes del bienestar de sus ciudadanos a través de las más generosas y antidiscriminatorias prestaciones sociales del planeta. Al tiempo, regula extensas parcelas de la vida de los noruegos (su educación, salud, pensiones, relaciones laborales y distribución de la riqueza) sin que a nadie parezca molestarle."

sábado, outubro 29

terça-feira, outubro 25

Se os americanos querem viver o "american dream" devem ir para a Dinamarca




Muitas referências a Portugal, e sempre pelos piores motivos. No entanto, consola saber que Portugal está incluído no grupo restrito dos países mais ricos. Destes, os escandinavos ocupam as melhores posições em todos os indicadores.
Se a direcção é norte, porque andamos tão desnorteados?

domingo, outubro 23

Kate Winslet




Da produtora americana HBO surgem regularmente as melhores séries televisivas (dos saudosos Sopranos ao delirante e neurótico Curb your Enthusiasm). Sem o vigor destas, Milred Pierce é uma minissérie à volta de uma dona de casa que luta por resgatar a sua família de uma situação de pobreza no contexto da Grande Depressão. Milred Pierce é protagonizada pela brilhante Kate Winslet (entrevista no El País). A ver. Fox (88).

sábado, outubro 22

A HORA do BOLO, na RADAR, 97.8



Chef: Inês Barreira (A Inês faz um saboroso bolo de chocolate), 17 anos, Almada



Ingredientes:

At The Drive-In - Cosmonaut
Sufjan Stevens - John Wayne Gacy Jr.
Bass Drum of Death - Get Found
Beirut - The Peacock
David Bowie - TVC15
Dax Riggs - Night Is The Notion
The Cure - Plastic Passion
PAUS- Pelo Pulso
Johnny Flynn - Lost And Found
Sun Glitters - Too much to lose
The Mountain Goats - Jam Eater
Blues Battles - Sweetie & Shag (feat. Kazu Makino)
The Who - Sunrise
Youth Lagoon - Cannons
Zach Hill - The Primitive Talks
The Milkshakes - After Midnight


Sábado 17.00 / Repete Domingo 17.00 (30 Outubro)

Liszt, nasceu há 200 anos

Expliquem-me


Porque devem contribuir de maneira diferente um professor do ensino público, do privado e um aposentado? 
Não será unicamente preconceito ideológico?

Não me venham com as justificações de Lopo Xavier, Pires de Lima e Catroga, da segurança no emprego dos funcionários públicos, quando se sabe da efectiva "reestruturação" de todo o sector. (Público, Diário Económico)

quarta-feira, outubro 19

Coerência nas palavras e nos actos


Sempre que alguém se demite de um cargo público, interesso-me pelo caso. Vejo no acto um manifesto reconhecimento da incapacidade de cumprir as expectativas criadas, desinteresse pelo lugar,  um exercício de liberdade - em suma, uma atitude que reflecte alguma nobreza de carácter.
Neste sentido, espero consequências dos actos das figuras mais importantes do estado: o esquecimento do 1º Ministro após a tomada de posse das promessas eleitorais indica estarmos perante um embuste ou uma falta de preparação inadmissível; do Presidente da República espera-se coerência nas palavras e nos actos.

domingo, outubro 16

Indignação



Não sei se é obra maior ou menor de Philip Roth. Tal como todos os outros que li, Indignação é um livro pungente e belo


                           e oportuno. Nunca fez tanto sentido a palavra Indignação.



"Podeis ser estúpidos à vontade, podeis mesmo dar todos os sinais de que quereis apaixonadamente ser estúpidos, mas a história acabará por vos apanhar. Porque a história não é o pano de fundo – a história é o palco! E vós estais no palco! Oh! Como é revoltante a vossa tremenda ignorância sobre o que se passa no vosso próprio tempo!”


sexta-feira, outubro 14

Comam salada ...


Enquanto ouvia o primeiro-ministro a anunciar o tão propalado corte das gorduras do estado, e que se traduz na extinção ad eternum (ele disse dois anos) dos subsídios de férias e natal aos gordos da função pública, vinha-me à memória uma frase, que eu não consigo recordar o autor e provavelmente não saberei citar corretamente, que se adequa ao sentimento do princípio de um grave retrocesso civilizacional - “comam salada enquanto podem”.

terça-feira, outubro 11

O que pensará Quaresma?

Record

No sofá ou no banco de suplentes, o que pensará Quaresma?
Será que na selecção de todos e onde cabem quase todos, de Eliseus a Postigas, não há lugar para quem trata tão bem a bola? Se as equipas se fizessem pelo escolho eu/escolhes tu, quem o deixaria para o fim?

Individualista, indisciplinado – dizem. Muito disciplinado é ele.

Castigo


Ter que governar com a troika parece-me o castigo certo para Jardim.

quarta-feira, outubro 5

Hostil, mas réptil




O El País tem dado grande relevo ao terceiro casamento da duquesa de Alba de 85 anos. Agora mesmo, o jornal relata em directo todas as notícias relativas à boda de Cayetana de Alba com Alfonso Díez, "Les separa su posición social y económica pero les une el arte". O poder da Arte. E é nesta perspectiva que devemos compreender todo este frenesim noticioso à volta deste casamento e das consequências na divisão do imenso património. Em suma, enquadremos também o feio nessa  perspectiva, mais romântica.

“Amo-te não só porque és disforme, mas também porque és abjecto. Amo o monstro e amo o histrião. Um amante humilhado, escarnecido, grotesco, horrível, exposto aos risos naquele pelourinho chamado teatro, tudo isto tem um gosto extraordinário. (…) Ah! Sou feliz, eis-me decaída. Gostaria que todos pudessem saber quanto sou abjecta. Prostrar-se-iam ainda mais, porque quanto mais detestam, mais rastejam. O género humano é feito assim. Hostil, mas réptil. Dragão, mas verme. Oh! Sou tão depravada como os deuses (…)”    
  Victor Hugo, O homem que ri (1869)


*Ao ver a duquesa, associo-a imediatamente à rainha de Tunes, pintada por Quentin Massys (1513).


Jazz no Douro


           Por esta época, desde há oito anos, nas cepas do Douro, os cachos são substituídos por notas musicais que são transportadas para as salas de espetáculos de várias cidades transmontanas. Aqui, os enólogos da música combinam-nas harmoniosamente, fazem-nas fermentar e logo a seguir engarrafam-nas com rótulos de marca swing, blues, folk, country e jazz, inebriando os fãs destas castas. Esta espirituosa bebida que se toma pelo ouvido faz logo surtir os seus efeitos evidenciados no abanar da cabeça e no acompanhamento feito inadvertidamente pelo corpo.

            No fim, sabe bem complementar este estado de espírito com a combinação de aromas e paladares nascidos da cepa, num gesto de apelação à sintonia entre o vinho e a música, entre o Douro e o Jazz.

            Um brinde aos músicos e aos vinicultores.

Até jazz
J Carvalho

           

domingo, outubro 2

M. J. Marmelo




(para ver se não se chega ao ponto de nos parecer melhor a pura e simples anarquia).


... Nem que faça de Martim Moniz.


Entrevista esclarecedora  de António Pedro Vasconcelos a Clara Ferreira Alves, na Única, sobre o audiovisual em Portugal e em particular a necessidade de manter um canal público de televisão.

"A Europa está como está por causa da perda de influência das televisões públicas. A televisão privada destruiu a Europa."
ou
"Para haver privada tens de ter condições financeiras para um mínimo de qualidade, um serviço público independente e prestigiado e uma instância reguladora fortíssima."
mais
"Uma coisa é discutir a qualidade do serviço e outra é discutir a existência desse serviço"
e ainda
"Vou dedicar os próximos anos da minha vida a impedir a ideia louca de privatizar a RTP."

quarta-feira, setembro 28

O Primeiro de Janeiro








A minha avó lia o jornal no dia seguinte. Desde que se reformara ficava pelas páginas dos crimes e roubos que, convenhamos, não perdiam a actualidade de um dia para o outro. Assim, em minha casa sempre me lembro de dois jornais que identificava imediatamente pela frescura do papel e pelo local do poiso. Um chegava impreterivelmente às sete e dez, hora a que o meu pai regressava para jantar, o outro, já descomposto por outros olhares, no quarto da minha avó Felisbela que, pelos seus óculos de professora e num contínuo sibilar de atrocidades, passava parte da sua tarde horrorizada com os tempos que corriam. Eram tempos do Primeiro de Janeiro, que se diferenciava pela independência em relação aos governos de então, do rival Comércio do Porto, mais popular e alinhado, e do paroquial JN, ainda sem expressão nacional. Anos sessenta.

Quanto a mim, ainda miúdo, virava as páginas do jornal à procura de algo que os mais velhos pareciam encontrar, numa cadência rápida que só o futebol conseguia contrariar. No Verão, claro, analisava minuciosamente as classificações da Volta a Portugal em Bicicleta e na penúltima página, ao lado das palavras cruzadas e das sete diferenças, sempre tão óbvias, as tiras do Mandrakee e do Fantasma. Ao domingo, intrigava-me a tira de três quadradinhos do Príncipe Valente que já ia na casa dos milhares e nunca consegui perceber quem seguiria tal história e quando teria começado.

A ideia do jornal como caixinha de surpresas vem daí e ainda se mantém. Abro-o com a curiosidade de quem desembrulha algo, com a expectativa de encontrar não sei bem o quê que me fixe a atenção distraída. E encontro. Nos diversos jornais online que consulto há, cada vez mais, quem escreva muito bem, quem ilustre ou fotografe com grande sensibilidade, quem faça publicidade com grande criatividade. Neste ritual diário que começa pelas capas dos jornais, tropeço sempre no mau gosto da primeira página de um “jornal” que usa o nome de O Primeiro de Janeiro.

domingo, setembro 25

Parabéns a Carlos Freitas.



Domingos não vê diferença entre este jogo com o Setúbal e o jogo contra o Olhanense. Pasmo ao ouvir isto - eu não encontro qualquer semelhança. Só uma imprensa estranhamente compreensível com o técnico e uns adeptos com uma enorme vontade de esquecer o passado apagam o início desastrado de um treinador que optou, até ao limite, por um onze sem a mínima qualidade. Parabéns a Carlos Freitas pelos novos jogadores.

domingo, setembro 18

Postais de Paris



Quem associa Woody Allen a Manhattan ou Annie Hall, Meia-Noite em Paris é uma desilusão. As sucessões de postais sobre Paris nos primeiros minutos do filme marcam-no definitivamente. Reduzem-no a isso. A tentativa nostálgica de recuperar Paris como centro cultural do início do século vinte, leva Woody Allen a uma colagem forçada de sketches com intelectuais e artistas boémios de então (Picasso, Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Cole Porter …). Se o argumento é preguiçoso e pobre os actores são convincentes. Owen Wilson e Marion Cotillard sobressaem, Carla Bruni, como guia de museu, contida e discreta. Quem diria! Sinais dos tempos?

sábado, setembro 17

Homens destes não caem assim.


Estranho a surpresa de tantos com o buraco da Madeira!
O garante de lealdade do sistema feudal da ilha assenta na fidelidade a Alberto João Jardim. Ao longo de 30 anos satisfez a cobiça por toda a opulência material e sucesso do seu séquito. Do governo regional todos dependem e não me parece que algo se vá alterar nas próximas eleições. Homens destes não caem assim.

quinta-feira, setembro 15

The Good Wife

Nos EUA o primeiro episódio da terceira temporada será exibido ainda este mês. Por cá, a segunda já começou. Fox Life, canal 62/63.



domingo, setembro 11

Obviamente, demitia-o.


DN


Que argumentos usam os treinadores para justificar tão chorudos ordenados? O mercado explicará a exorbitância, mas ao ouvido do presidente dirão: capacidade de trabalho; competência no recrutamento dos melhores para cada jogo; equidade no tratamento dos jogadores; domínio nas questões técnico-tácticas; perspicácia na leitura do jogo; ousadia nas soluções.
A vitória merecida frente ao Paços de Ferreira (com o melhor 11 da época) e o contraste com as escolhas e futebol praticado nos restantes jogos só poderá ter um epílogo – Domingos não serve.  

terça-feira, setembro 6

O ritmo e o tom de Vitor Gaspar






Gosto de ouvir Vitor Gaspar. Curiosamente sempre que o oiço nas entrevistas ou na aula que deu aos jovens do PSD a minha atenção centra-se sobretudo na forma: a timidez inicial; o ritmo e o tom de voz inalteráveis; a pronúncia bem articulada; a reacção tardia às perguntas que cria algum desconforto, mas logo ultrapassado pela imprevisibilidade das respostas; a cordialidade permanente.
Quanto à substancia, o mesmo ritmo e o mesmo tom – mais impostos sobre o trabalho: "Nós sempre escolhemos usar o sistema fiscal português, por exemplo, considerar como indicador de capacidade contributiva o rendimento das pessoas singulares. Não me parece que seja avisado alterar isso por causa de medidas de recurso".

sábado, setembro 3

Figo





A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-Io em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-Io para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.

Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.
Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.

Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.

Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.

D.H.Lawrence
(tradução de Herberto Helder)

quarta-feira, agosto 31

Mickey Sabbath


Sou um leitor de Philip Roth. Sempre que acabo um livro fico com a sensação que terei que o reler. Este, tal como os outros, é magnífico. Mickey Sabbath é um personagem turbulento, trágico, hilariante.
“ – Boa tarde – disse Sabbath, e inclinou formalmente a cabeça. – Sou o beneficiário do instinto de construir um ninho de Roseanna e a personificação de toda a resistência que ela encontra na vida. Estou certo de cada uma das senhoras tem um companheiro indigno: eu sou o dela. Mickey Sabbath. Tudo quanto ouviram a meu respeito é verdade. “

sábado, agosto 27

Os super-ricos



"Estava, Warren Buffett, no escritório, olhou à volta e deu-se conta de que os seus colaboradores mais próximos pagaram mais: em 2010, Buffett pagou 6,9 milhões de impostos, cerca de 17,4% do que tinha ganho; já os seus empregados pagaram uma média de 36%." No DN e no El País

Será que alguns já perceberam que não poderão ser ricos no meio de uma sociedade cada vez mais pobre? Por cá, tudo farão para fugir aos impostos. Preferem a caridade.

quarta-feira, agosto 24

Recomendava-lhe que estudasse o que faz Jesus

Público

Domingos poderá não conhecer bem os 14 reforços com que foi presenteado, mas não poderá dizer o mesmo dos restantes jogadores da equipa. Conhece todos os defeitos do miserável plantel que o Sporting mantém de anos anteriores. Mais uma vez, o treinador quer ser o protagonista: faz algum sentido manter na equipa principal 7/8 jogadores do ano anterior e esperar resultados diferentes?
Se o Sporting fizesse uma análise detalhada aos dados estatísticos dos jogos, remeteria definitivamente a maioria dos antigos jogadores para a reforma antecipada: a quantidade de vezes que Postiga, Matias e Djaló põem fim ao jogo da equipa é assustadora; na defesa, Polga é um caso sério de mediocridade que se perpétua e Rodriguez, apesar de novo na equipa, um bluff – lento, pesado e baixo.
Quanto às questões técnico-tácticas, se pudesse aconselhá-lo, caro Domingos Paciência, e por muito que custe a todos nós, leões, recomendava-lhe que fosse corajoso e estudasse o que faz Jesus, não Mourinho nem Villas Boas. Sem ironia.

Na Casa Grande de Romarigães, II




Joana, segundo o painel existente na galeria dos retratos da Casa Grande, não era formosa, mas extremamente sedutora. As mulheres porém não precisam de ser bonitas para serem amadas até à idolatria. Era mediana de corpo, enxuta de carnes, dentes muito brancos e regulares, olhos pretos de que não se via o fundo, e um sorriso brando, destes que, sem jamais se descomporem, variam de suavidade como os felinos que reflectem nas pupilas os cambiantes da luz. Da cinta era fina e, no andar, um tudo-nada flexuoso, punha um dengue tão involuntário que se quedava em requebro natural, promissor de temperamento. Pertencia em suma à classe das mulheres que, a começar pelo corpo e a acabar pela alma, se tornam amantes perfeitas. Lianças com elas jamais se rompem. Quem as ama, ama-as até à morte. Quando desaparecem, deixam inextinguível braseiro. É que deram com a sua carne a beber o filtro que não perdoa, onde se concentram meiguice e enliçamento animal, princípios sumos da voluptuosidade criadora.
In A Casa Grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro

segunda-feira, agosto 22

Junto do Lima, claro e fresco rio





A Casa Grande em poucas semanas estava expurgada de dívidas e hipotecas; recuperadas as terras, que, embora anexas ao morgadio, não faziam parte do vínculo. Ao mesmo tempo renovou os soalhos do solar; ergueu os muros caídos ou desmantelados; captou águas extraviadas; fez, em demais, nas duas Portelas, a aquisição de uns rossios encravados nos da Casa. Uma década decorrida, Luís de Azevedo, para empregar a palavra dum rendeiro, fizera da Casa Grande um brinquinho. Podia, ao mesmo tempo, subir por oiro para a cama. Para cúmulo, sua mulher D. Silvana saíra meiga e macia como o veludo.
Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães

terça-feira, agosto 16

Cinco dias em Ponte de Lima

Entre o Moledo e Ponte de Lima procurarei (eu) nos próximos dias os espaços e ritmos de António Sousa Homem. A música criteriosamente seleccionada (elas) terá como base os grupos que actuarão em Paredes de Coura, à excepção deste cd que inclui esta belíssima música.

quinta-feira, agosto 11

"Por que não aproveitaríamos a oportunidade de ficar com artigos caríssimos à borla?"


Os criminosos são operários, estudantes, homens, mulheres e até crianças. No Público.

Talvez não faça muito sentido o post anterior.                        

Reestruturar

Público

Dinâmica de grupo, imbecilidade, sentimento de impunidade de uma juventude suburbana “ociosa”, dependente e com muito pouco a perder, explicam quase tudo.
No entanto, preocupa-me ouvir diariamente que melhorar a performance das empresas, aumentar os lucros, reestruturar (palavra tão em voga), sejam sempre sinónimos de despedir.

segunda-feira, agosto 8

À beira-mar, Rentes de Carvalho


Já no século IV a. C., Platão constatara que mais cedo ou mais tarde todos temos que nos vestir. Rentes de Carvalho com a sua perspicácia e ironia habituais confirma-o na praia.

À beira-mar
Nunca fui de beira-mar ou praias, não só pelo marulhar constante, a inquietude das ondas, a brisa e a areia, mas pelo espectáculo da humanidade desnuda.
É grande o respeito que me merece o semelhante, e desde há muito considero o vestuário um dos atributos que mais têm contribuído para a harmonia da sociedade e a paz dos olhares. Daí que a praia se me afigure a versão moderna de uma Cour des Miracles medieval. Os corpos que não ferem os olhos ou os alegram, são gota de água no Oceano Pacífico da exposição praticamente nua de adiposidades, fealdades e porcalhice, de modo que uma passagem pela praia – as minhas só por razões de ofício – tem consequências graves para o sossego da alma, o sono da noite e o respeito que devo ao próximo.
Enquanto tenho de estar e presenciar, incomoda-me a passividade daquela massa que, espichada ao sol, involuntariamente provoca a imaginação de horrendas cópulas, hábitos vis, atitudes indecentes, satisfações alvares, peidos e arrotos.
Dêem-me a rua e a roupa.


Rentes de Carvalho, aqui

quarta-feira, agosto 3

A Carrinha do Paulo

Renault 4L, 50 anos



Tinha um aspecto pálido e uma estrutura estranha; dava uma impressão de deformidade sem, contudo, apresentar uma malformação definida; comportou-se com um misto desconcertante de timidez e ousadia, e exprimia-se com um bater rouco de motor esforçado que não se traduzia em velocidade. Todos estes pormenores depunham em seu desfavor, mas durante alguns anos representou para um grupo de amigos um espaço de liberdade e de sonhos.

terça-feira, agosto 2

Aumentos de 15%

Paul Wang

A explosão em Oslo na passada semana chocou-nos a todos. Na tentativa de contextualizar o desastre, um jornalista salientou, como sempre o fazem quando de escandinavos se trata, o civismo, o interesse pela coisa pública, o respeito pelo ambiente deste "país modelo". E deu um exemplo que a todos tocou: os governantes usam  no dia-a-dia os transportes públicos nas suas deslocações para os ministérios. Mais a sul, os nossos vizinhos decidiram, tendo em conta o aumento do preço do petróleo, reduzir o limite máximo de velocidade e baixar os preços dos transportes públicos.
Onde vão buscar as ideias os nossos governantes?

segunda-feira, agosto 1

Cartas de Vidago, A Caixa






Chaves, 30 de Julho de 2011
Caro amigo António!
            Ao abrigo da nossa já antiga relação de cordialidade e cooperação endereço-te mais uma carta que tu podes, como sabes, dar a conhecer se lhe vires algum interesse editorial. Desta vez tinha até vontade de lhe dar forma manuscrita, ao estilo do antigo papel de carta, mas as novas e vantajosas tecnologias penetraram de tal forma nos nossos hábitos que já não se conseguem contornar. Qualquer desajeitado pode fazer maravilhas com elas.
            Tem-te a ti como destinatário, mas tem como narratário um universo indiferenciado de leitores que tenham capacidade de literacia suficiente para a interpretar.
            A sequência dos teus mais recentes posts de Amós Oz e a confraternização da Heineken, fizeram-me lembrar uma conhecida alegoria da antiguidade clássica e que eu tenho vontade de adaptar para ilustrar e dar mais consistência a esses posts. Então aí vai:
            Tudo funcionava harmoniosamente naquela ilha. Todos contribuíam com o seu trabalho e com as suas atitudes para que a harmonia não fosse abalada pelo menor deslize. O segredo para tudo isso estava guardado numa caixa que jazia na recôndita e inviolável câmara de um templo imemorial. Essa caixa guardava todos os defeitos e maleitas da humanidade. Lá estava a mentira, a cobiça, a desonestidade, a arrogância, a xenofobia, a petulância, a avareza, a inveja, a ganância, o snobismo provinciano, a falsa modéstia e tantos outros de uma lista lamentavelmente extensa. Essa ilha era o nosso mundo. A curiosidade dos homens foi mais forte do que a inviolabilidade do segredo e, quando a caixa se abriu, avidamente se libertaram agoirentas, venenosas, malévolas, maquiavélicas, destruidoras, penetrantes, traiçoeiras, contagiosas, todas aquelas maleitas sociais. Em forma de pomba branca as mais hipócritas, em forma de abutre as mais frontais, todas se apoderaram da estabilidade daquela ilha. Foi a partir daí que começaram a aparecer os usurários, os pobres, os ricos, os invejosos, os hipócritas, os vigaristas, os ditadores, os diabos, os deuses, os padres, os moralistas… e os políticos. De então para cá, forças antagónicas protagonizadas por estas figuras têm-se digladiado num emaranhado aparentemente insolúvel.

O bom gosto, o bom senso, a harmonia, a cooperação, a tolerância, a solidariedade, a cordialidade são valores que têm sido ciclicamente renovados e aniquilados por estas lutas ao longo da história. Parece-me que estamos actualmente na fase da sua aniquilação. Agora, a caixa está inviolavelmente fechada à espera que apareça uma força social e humana suficientemente poderosa para encerrar as falsas pombas e os abutres agoirentos e assim regenerar aqueles valores.  
Proponho um caloroso e prolongado brinde a esse momento. Não precisa de ser com flute de D. Pérignon ou Möet Chandon; pode ser com uma garrafa de Heineken… ou Sagres.
Um brinde com abraço sincero e cordial
José M. Carvalho