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segunda-feira, julho 16

O triunfo dos treinadores. A derrota do futebol.


O mundial da Rússia foi o mais aborrecido de todos os que me lembro ver. Mesmo para aqueles que dissertaram sobre cada partida querendo fazer de cada uma delas um jogo de suprema estratégia, quais generais a por e a dispor os seus soldadinhos de chumbo num campo de batalha, ainda assim, não conseguiram negar a evidência – que estopada foi este futebol por terras russas. Ouvi-los, jogo após jogo, tentar seguir os raciocínios elaborados foi o primeiro passo para percebermos que não estávamos a ver a mesma coisa. Esforçaram-se muito, é verdade. A linguagem é cada vez mais cuidada e o vocabulário específico assertivo. No entanto, o futebol praticado de há uns anos para cá não acompanha esta vontade veemente de o entender racionalmente, de ver beleza onde o belo não toca, de o vender como de obra de arte se tratasse.
Desde que os treinadores e os seus afeiçoados comentadores começaram a ter um protagonismo inusitado, a qualidade do futebol nas quatro linhas mirrou: o rigor e a disciplina férreas espartilharam o jogo, os esquemas táticos, assinados por estrategas de gravata e fato armani, tiraram-lhe o improviso, o pragmatismo seco e inestético impôs-se. Aos domesticados craques da favela ou do bairro pobre parisiense resta-lhes apenas escolher a cor das chuteiras, os cortes de cabelo e as tatuagens.

segunda-feira, outubro 16

A lição de Tiago Oliveira, engenheiro florestal


Na RTP3, entre as sete e as sete e vinte, vi e revi a entrevista do engenheiro florestal, Tiago Oliveira. Num tom agastado, cansado provavelmente de repetir ano após ano as mesmas coisas, advoga a única via possível: adequar metodologias internacionais de prevenção e combate aos incêndios, tratar da vegetação durante todo o ano, vigiar os espaços, educar a população. 

domingo, outubro 8

“La verdad nos haría libres, pero preferimos la mentira porque nos hará independientes”, F. Savater


Mais uma facadinha num Projecto Europeu tão fragilizado nos últimos anos. Numa Europa que se pretendia sem muros e sem bandeiras, aparecem agora estes movimentos, o Brexit e a Catalão, absolutamente anacrónicos e incompreensíveis.

Nesta questão catalã, alinho pela análise de Fernando Savater, no El País.

sábado, julho 8

Tancos, ao contrário de tantos…


... sinto-me agora mais seguro. Mais seguro por saber que o General Rovisco Duarte continuará como chefe do Estado-Maior do Exército. Assumiu sem tibiezas uma responsabilidade evidente, agiu com rapidez no apuramento das responsabilidades operacionais, foi parco em palavras como o momento exigia. 

sábado, maio 6

MNE corta exame que chumbava mulheres


Sendo verdadeira a notícia do Expresso, proponho ao ministério de Santos Silva que vá um pouco mais além. Vejam: (colocar legendas em português)



segunda-feira, abril 24

Os turcos de Erdogan


André Carrilho

Retirei do DN:
. Na Turquia - vitória conseguida pelo presidente Recep Tayyip Erdogan - 51,18% votaram sim e 48,82% não;
. Na Alemanha vivem cerca de três milhões de turcos, votaram cerca de 650 mil, tendo o sim ganho com 63,07%.
. Depois da Alemanha, a França é o país preferido da imigração turca, estimando-se que sejam mais de 800 mil - votaram cerca de 140 mil, tendo o sim ganho com 64,85%dos votos.

Este referendo, para lá das questões formais da passagem de um sistema parlamentar para um sistema presidencial, foi sobretudo um sinal de apoio ou não às políticas seguidas por Erdogan. Só para recordar: Erdogan nos últimos tempos prendeu milhares de turcos da oposição, incitou ao ódio contra os europeus, reduziu drasticamente os valores de uma Turquia liberal (liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de divergência e separação de poderes).
E foram os emigrantes turcos na europa a dar um apoio inequívoco a toda a política de Erdogan, e contrária aos valores das democracias europeias. Inquietante.

sexta-feira, janeiro 20

O que correu mal em Obama?

Ilustração André Carrilho

Também vou ter saudades de Obama. Saudades do humanismo e da tolerância. Saudades da modernidade e da elegância dos actos. Do seu sorriso largo. Saudade dos discursos espontâneos e informais, das diferenças de timbre da sua voz, das alterações sistemáticas de ritmo, das pausas prolongadas que nos permitiam refletir. A oratória como uma ciência das emoções. Também um mestre na gestão da imagem. Ninguém geriu tão bem a linguagem corporal, os locais por onde andou ou por onde passeou, até mesmo a subtil e eficaz exploração dos espaços familiares e dos gestos mais íntimos. Se era difícil superar Bill Clinton, Barack Obama conseguiu-o largamente.
Se do ponto de vista europeu e pelos dados revelados pelos vários indicadores, a governação foi, apesar da maior crise económica mundial depois de 1929 e ao invés da Europa, um sucesso, há algo que não consigo compreender, porque contraria a história da tomada do poder dos partidários do populismo: o que correu mal nestes anos de Obama para que o povo americano votasse numa mudança tão radical e entregasse o mais alto cargo da nação ao sinistro Donald Trump?

sábado, setembro 24

Um prémio para a má arquitetura.


Ainda a propósito do disparate do diploma que define agora que “o coeficiente de 'localização e operacionalidade relativas' possa ser aumentado até 20% ou diminuído até 10%, caso fatores como a exposição solar, o piso ou a qualidade ambiental sejam considerados positivos ou negativos”.
Surpreende-me que ninguém tenha argumentado que deve ser o oposto: que a má arquitectura tem de ser penalizada. Ou seja, que a fraca exposição e orientação solares, a má qualidade ambiental, os coeficientes que indicam falta de conforto devem ser, estes sim, agravados e, obviamente, beneficiados todos os edifícios que respeitam as normas ambientais, que se integram na paisagem, que reduzem consumos, que proporcionam uma vida melhor.

quarta-feira, abril 29

Uma "Ikea"


Um contraste que não deixa dúvidas a ninguém. Parabéns aos designers da Ikea. 
Como reverter esta situação que se generalizou e desfigura as nossas casas? Uma ideia: porque não descer o IMI a quem tem bom gosto (não tem marquises).


sábado, abril 25

Cravos vermelhos



Há uns anos, a propósito do 25 de Abril, escrevi o editorial do jornal escolar.
“Para comemorar o 25 de Abril, pedi duas pequenas histórias aos meus colegas Jorge Santos e Turé Couto que viveram intensamente este período e o anterior. Vale a pena lê-las porque, para além do seu valor literário, os mais velhos recordarão com certeza esse tempo mesquinho e claustrofóbico. Para os mais novos, os nossos alunos, para quem esta data é sobretudo um feriado bastante oportuno, espero que vejam nestas histórias, puras histórias de ficção: ou seja, aos olhos de quem sempre viveu em democracia, pareçam inacreditáveis, irreais, de um tempo que acabou há muito. Será sinal que Abril se vai cumprindo. Não devemos, nesses inquéritos feitos na véspera do dia, estar muito preocupados se eles sabem ou não quem foi o Salgueiro Maia ou o Otelo. Não passamos nós com uma idêntica leveza pelo 5 de Outubro? Seremos menos republicanos por isso? Valorizemos antes, e diariamente, os ideais de Abril e da República – Liberdade, Igualdade e Fraternidade.”

domingo, julho 13

Terra, Olga Roriz

S. Paiva, Público

Diz António Lobo Antunes que um dos sinais mais fiáveis para avaliarmos se uma peça de teatro é ou não é boa manifesta-se pelo doer do rabo na cadeira. Depois do brilhante Orfeu e Euridice, Olga  Roriz apresentou a sua última criação, Terra, no CCB, e a dificuldade em arranjar uma boa posição durante a longa perfomance foi desesperante. Mais do que a magia do bailado, porque é disso que os bailados se fazem - de magia e comunicação, centramo-nos exclusivamente na capacidade física dos bailarinos, autênticos atletas de alta competição, e ficamos admirados com a tremenda exigência física a que são submetidos. Dança pela dança parece muito pouco para um leigo como eu. Muito pouco.

quarta-feira, julho 9

82. Quando a derrota verdadeiramente doeu.


A última selecção brasileira que não precisava de rezas nem mezinhas nem milagres. Simular uma falta era dar tempo ao adversário e um pontapé para o ar uma opção vergonhosa.

sexta-feira, julho 4

Técnica


Se técnica se define como eficácia com o menor esforço, aliás a própria definição é um primor de síntese e de eficácia compreensiva, os alemães possuem, desde há muitos anos, o futebol em que a técnica individual (não no sentido circense e comummente classificada como tal) melhor se expressa e, como não podia deixar de ser, ao serviço da equipa e das vitórias. Manifesta-se pela qualidade da recepção, do passe e do remate, pelo predomínio da objectividade, da linha recta e pela elevada quantidade de jogadores envolvidos nas acções - a matemática assim o exige.
Mas não é com este modelo minimalista de jogo que se fazem os espectáculos. Os grandes espectáculos de futebol fazem-se com a emoção da linha curva, do drible, do Olé, do rodriguinho, do erro, da simulação, do individualismo, das estrelas narcisistas, em suma: da teatralidade.

segunda-feira, agosto 12

Recomeçar

Com Jesualdo pensei que tínhamos chegado definitivamente à conclusão que a um Sporting de parcos recursos económicos só lhe restava a aposta na formação. Temo que se tenha voltado atrás: chegaram inúmeros jogadores de qualidade duvidosa, recuperaram alguns manifestamente incapazes, empurraram os “miúdos” de qualidade inquestionável para o banco, para a B e, talvez, para fora.

Recomeça-se permanentemente no Sporting, talvez por ignorância do que se fez, talvez por vaidade.

segunda-feira, julho 8

Um mestre em apuros

Público

Premissas para revogar o irrevogável:
Paulo Portas, dois anos depois, tem a certeza que Passos Coelho é incompetente; Paulo Portas espera até ao limite do suportável pela demissão de Vitor Gaspar; Paulo Portas vê na nomeação da Maria Luis o perpetuar de uma apagada e vil tristeza; Paulo Portas sabe que a queda do governo representa a extinção do CDS/PP; sabe também que esta oportunidade é a última hipótese de chefiar um governo.

Jogada final de um mestre em apuros

sábado, junho 29

O poder nas ruas

Female tailors on strike.New York City, February, 1910 
                                                                                                                               
Não será por acaso que o direito à greve está consagrado em todas as constituições dos países ocidentais civilizados. Representa o último patamar a que recorrem todos aqueles que querem ser ouvidos e que reclamam atenção de quem os governa.
Desvalorizar, ridicularizar ou achar, como se tem ouvido cada vez mais, que os grevistas não passam de gentinha manipulada por sindicatos ou partidos sem escrúpulos é não só estúpido como abre naturalmente caminho a soluções bem menos civilizadas: os últimos tempos têm sido férteis, na Turquia e no Brasil, o povo saiu em manifestações de rua, espontâneas, inorgânicas, ameaçadoras, conquistando simpatias e promessas imediatas dos governantes. E o perigo vem verdadeiramente daí, do poder poder cair nas ruas - e todos sabemos o que isso significa.
Insisto: o direito à greve representou um enorme avanço civilizacional e desvalorizá-lo parece-me politicamente um erro grave e um desrespeito pelo passado que nos trouxe até aqui.

quarta-feira, maio 1

Ponto de partida para os cortes

Daumier

A mais séria proposta de Reforma do Estado foi lançada, em jeito de desafio, por Paulo Pedroso na TVI24. Sumariamente: analise-se onde o Estado gasta mais do que a média europeia em percentagem do PIB  e corte-se aí. A formulação é tão simples que me parece um justo ponto de partida para qualquer reforma séria. Ou não?