Mostrar mensagens com a etiqueta desporto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desporto. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 16

O triunfo dos treinadores. A derrota do futebol.


O mundial da Rússia foi o mais aborrecido de todos os que me lembro ver. Mesmo para aqueles que dissertaram sobre cada partida querendo fazer de cada uma delas um jogo de suprema estratégia, quais generais a por e a dispor os seus soldadinhos de chumbo num campo de batalha, ainda assim, não conseguiram negar a evidência – que estopada foi este futebol por terras russas. Ouvi-los, jogo após jogo, tentar seguir os raciocínios elaborados foi o primeiro passo para percebermos que não estávamos a ver a mesma coisa. Esforçaram-se muito, é verdade. A linguagem é cada vez mais cuidada e o vocabulário específico assertivo. No entanto, o futebol praticado de há uns anos para cá não acompanha esta vontade veemente de o entender racionalmente, de ver beleza onde o belo não toca, de o vender como de obra de arte se tratasse.
Desde que os treinadores e os seus afeiçoados comentadores começaram a ter um protagonismo inusitado, a qualidade do futebol nas quatro linhas mirrou: o rigor e a disciplina férreas espartilharam o jogo, os esquemas táticos, assinados por estrategas de gravata e fato armani, tiraram-lhe o improviso, o pragmatismo seco e inestético impôs-se. Aos domesticados craques da favela ou do bairro pobre parisiense resta-lhes apenas escolher a cor das chuteiras, os cortes de cabelo e as tatuagens.

sexta-feira, setembro 16

William Carvalho


Ah! Se eu pudesse ter de novo 10 anos e escolher a equipa como fazíamos em miúdos, escolho eu escolhe tu. Se em sorte me coubesse, apontaria em primeiro lugar para o William Carvalho para jogar ao meu lado no meio campo, equipados de verde e branco.
O jogo no Barnabéu foi mais um que confirmou o brilhante jogador de equipa que ele é. A intuição e a inteligência tocaram-no. Toda a equipa roda. Toda a equipa se mobiliza. Toda a equipa brilha. As soluções rapidíssimas que encontra em situações embaraçosas são sempre de uma naturalidade desconcertante - aquele modo de jogar conforme lhe apetece, com pouquíssimos adornos: aquele avançar, deter-se, rodopiar, deixar correr a bola muitas vezes sem lhe acrescentar nada.

terça-feira, julho 12

Três ou quatro coisas sobre o Europeu


Este europeu representou um retrocesso no futebol espetáculo que tem vindo a ser seguido pelo futebol ao nível de clubes. Neste contexto de futebol de cariz pragmático, a equipa portuguesa é uma justa campeã. Fernando Santos é inteligente, perspicaz, ouve tudo e todos e isso reflectiu-se nas diversas alterações na composição da equipa ao longo do campeonato. Ainda assim, e a mim que ninguém me ouve, o treinador campeão não conseguiu contrariar a previsibilidade do jogo português com Ronaldo em campo nem conseguiu resistir à promoção meteórica e exclusivamente mediática da pop star Renato Sanches. 

quarta-feira, abril 6

A Vitória do número



A estratégia de Rui Vitória explica-se facilmente: acredita que a quantidade de jogadores em disputa direta da bola é proporcional à possibilidade de a dominarem. Simples. Matemática pura e simples. O Professor rendeu-se a Pitágoras - tudo é número. Sem pudor e se necessário, defende com toda a equipa no último terço; atreve-se, atacando com um número semelhante à das equipas que defendem; disputa cada bola em qualquer espaço com maior número de homens. Apregoa, sem o semblante de um general romano, o mérito do coletivo, mas dificulta, com a estratégia eficaz que adotou, qualquer pretensão de individualismo e criatividade.
Para os amantes do ludopédio, e num espetáculo como o futebol tem que ser, é possível aproximar a arte de bem jogar à estratégia fria dos números?
Sim, é possível: vejam Jesus e seus apaniguados.

sexta-feira, março 25

Quando o futebol se deslocou para norte



Na década de 70, todos percebemos que havia mais do que o futebol brasileiro. Sim, até ali não havia mais nada. O futebol europeu resumia-se a um jogo esforçado, dedicado e estéril.
Aquelas camisolas brancas de tira larga vermelha do Ajax surpreenderam-nos. Todos nós, miúdos agarrados a uma bola desde que nascemos, arregalámos os olhos para perceber este comportamento coletivo contracultura, de movimentos largos, de movimentações sincronizadas e de uma criatividade dada a solistas de outra estirpe.

terça-feira, junho 23

Os rapazes de Rui Jorge


Há qualquer coisa estranha nos rapazes de Rui Jorge. Não fossem as camisolas das quinas e alguns rostos familiares e não seria fácil identificá-los. É certo que o toque na bola denuncia-os um pouco, aproxima-os da europa meridional, mas a confiança e a serenidade de jogadores e do corpo técnico afasta-os definitivamente para outras latitudes e para outros desportos - para o rugby, por exemplo. Não sei caracterizá-los de outra forma: é gente bem-educada. Sem altruísmo não pactuam com a simulação, com o embuste, não se enredam em simulações de faltas inexistentes, não se vislumbram tiques de fidalgos da bola. Não perdem tempo nas substituições nem na reposição da bola em jogo nem nos habituais e inconsequentes protestos com o árbitro.
Esta equipa de Rui Jorge parte de premissas de que são feitas as grandes equipas: divertem-se coletivamente com o que fazem, e jogam sabendo que a probabilidade de saírem vitoriosas aumenta com o tempo efetivo de jogo.

domingo, junho 7

A Paixão de Jesus


Não falemos dos escandalosos dinheiros que auferem as vedetas da bola, porque neste caso o dinheiro não foi determinante - mais milhão menos milhão em tantos milhões. Mas sim do tão propalado e tão em desuso amor à camisola: Jesus sabe muito bem que trocou êxitos previsíveis por um futuro incerto e hipotecou uma carreira internacional a troco de uma paixão que lhe poderá trazer imensos dissabores. Neste ambiente medíocre e de guerra instalado, um acto como este requer muita coragem e muita confiança em si próprio. Mas não é isso que se exige a um Homem?


sexta-feira, março 20

A cambalhota de Messi

`

Para quem perde, a zombaria. Só as vitórias contam. Os louros são sobretudo para quem finaliza. Os jogadores sabem disso. Posam, sabendo que as câmaras os perseguem. O regozijo generaliza-se até à histeria se um túnel acontece. O de Messi foi fantástico, é verdade. E a cambalhota? A cambalhota no final do jogo contra o Manchester City (12:23). De uma eloquência perfeita - a desilusão estampada na relva.

quarta-feira, julho 9

82. Quando a derrota verdadeiramente doeu.


A última selecção brasileira que não precisava de rezas nem mezinhas nem milagres. Simular uma falta era dar tempo ao adversário e um pontapé para o ar uma opção vergonhosa.

sexta-feira, julho 4

Técnica


Se técnica se define como eficácia com o menor esforço, aliás a própria definição é um primor de síntese e de eficácia compreensiva, os alemães possuem, desde há muitos anos, o futebol em que a técnica individual (não no sentido circense e comummente classificada como tal) melhor se expressa e, como não podia deixar de ser, ao serviço da equipa e das vitórias. Manifesta-se pela qualidade da recepção, do passe e do remate, pelo predomínio da objectividade, da linha recta e pela elevada quantidade de jogadores envolvidos nas acções - a matemática assim o exige.
Mas não é com este modelo minimalista de jogo que se fazem os espectáculos. Os grandes espectáculos de futebol fazem-se com a emoção da linha curva, do drible, do Olé, do rodriguinho, do erro, da simulação, do individualismo, das estrelas narcisistas, em suma: da teatralidade.

quarta-feira, junho 18

Um longo passeio pelos greens (4)


O som dos spikes metálicos dos sapatos no granito das escadas íngremes do Pavilhão marcava a inquietude e a ansiedade de um tee time cada vez mais próximo. Mas tudo começara no dia anterior. Na limpeza meticulosa dos ferros Wilson que a prima da américa oferecera, na escolha da bola ainda embrulhada em celofane e reservada para a ocasião, na verificação da quantidade e do tamanho dos tees, no esticar e dobrar da luva encarquilhada, no toque no quarto de dólar americano que marcaria a bola nos greens. O polo azul Fred Perry e as calças de cor clara, já vincados pela mãe para lá das recomendações, e o brilho puxado nos sapatos fechavam, com o grau de discrição que a timidez exigia, mas também com o cuidado subtil de não passar despercebida, uma composição elegante.
E depois a noite longa, demasiado longa, de olhos apertados, a volta delineada nas voltas da cama, pancada a pancada, de uma regularidade e perfeição impossíveis, e o tempo que nunca mais passava, irrequieto e enervante, que o atirava para o relógio vezes sem conta. E quando o cansaço parecia vencer, a manhã precipitava-se. O alvoroço perturbava o silêncio de domingo e a surpresa disfarçada da mãe recordava-lhe as horas que ainda faltavam para o torneio, “Não é só à tarde?” Sim, era.
O Pavilhão, não sei porque lhe chamávamos assim, era uma antiga fonte de águas termais adaptada a clubhouse do campo de Golfe de Vidago. Entre o pavilhão e o tee do buraco 1 passava a avenida que ligava a fonte termal nº2 à fonte Salus, na extremidade do parque. Esta longa e longilínea avenida, apertada por plátanos, de saibro meticulosamente varrido, limitava, à direita, todo o percurso do primeiro buraco e servia de verdadeiro teste aos nervos de qualquer jogador. Mas era no perímetro do primeiro tee, em frente ao Pavilhão, que o espetáculo decorria. Tarde de domingo, bancos de madeira vermelhos vivos reservados desde cedo pela gente da terra que por ali ficava. Conhecedora dos meandros deste jogo elitista contrastava com a perplexidade dos aquistas que por ali passavam e que, surpreendidos pela estranha coreografia no relvado imaculado, paravam por breves momentos. A azáfama de jogadores e as correrias dos caddies até ao parque de estacionamento na disputa dos golfistas mais generosos rematavam o ambiente de festa. O afã que precedia as saídas das diversas formações de jogadores repetia-se, e o burburinho só diminuía pelo avançar do jogador chamado pela voz do starter e pelos primeiros movimentos de ensaio que precediam a posição definitiva.
Mas quando a nossa vez se aproxima já pouco se ouve e pouco se vê. A barriga aperta ainda mais, o tempo escoa-se. Quando avançamos para as marcas de saída, aqueles dez ou onze passos, aparentemente resolutos, deixam-nos sós num palco verde constrangedor. E então, orquestrados pelo código de um jogo que exige silêncio quando alguém se posiciona, toda aquela gente para e todos se centram em nós. É sempre nesta altura que alguém tosse, alguém se aproxima ainda, alguém diz uma palavra mais, alguém continua a andar no saibro da avenida para a fonte, e é nesse momento que a voz se faz ouvir de novo sobre as outras distraídas e exige que tudo pare. E é essa voz que perturba ainda mais, e todos param e sabemos que todos, sem exceção, se viraram para nós e esperam. E é nessa altura que se ouve o bater do coração e queremos sair dali. E tudo se precipita de uma forma mecânica: bola em cima do tee, três ou quatro passos atrás, movimentos de alongamento do corpo com swings ritmados num crescendo de vigor, memorização de um ponto para o alinhamento, regresso à posição definitiva, aproximação do ferro 2, ligeira correção da altura da bola, verificação da posição dos pés e mãos, olhar rápido para o objectivo, rosto apertado, olhos fixos na bola. O movimento de backswing, que devia ser mais lento e amplo, acelera para lá das rotinas que o treino parecia ter consolidado e desmorona a elegância necessária ao movimento. A correção instintiva do movimento transforma o final do voo da bola, vergonhosamente curta para um adolescente, numa curva para a direita roçando os plátanos da avenida. O embaraço espelha-se imediatamente no rosto após o som da pancada e alastra à gente mais velha da terra que não precisa de se levantar.
Mas é de lá que vem o toque no ombro ou a frase reconfortante, “Força, Ni!”.

segunda-feira, abril 21

Um longo passeio pelos greens (2)




Mas é com o campo que o verdadeiro desafio se faz, qualquer jogador de golfe sabe isso.
Experimentem jogar em Vidago, no outono - a verdadeira essência da natureza, de uma natureza que se apresenta como emanação de um deus. Mas não se deixem iludir: toda aquela beleza, aparentemente espontânea, não passa de um logro. Por debaixo de toda aquela harmonia está o dedo perverso de um deus qualquer medieval - exigente, inclemente, quase sempre devastador, raras vezes acolhedor. Quem o desenhou fê-lo para nos seduzir e depois, creio cada vez mais, para nos corromper e para nos vexar.

Coloquemo-nos de um ponto de vista exterior, nos olhos do criador. Desçamos o monte íngreme de terra pobre e agreste, feito de fragas e penedos de granito, coberto de giesta, urze, rosmaninho, estevas, tojos, pinheiros, carrascos e cedros, e quando o monte descansa a paleta de cores altera-se radicalmente, incendeia-se: os verdes sem estação da montanha dão lugar a um vale de paleta rica em tons flamejantes açucarados.    E a escala de tudo aquilo! Se quisermos registar na nossa memória todo esplendor de cor, de texturas e luz, a altura e robustez dos plátanos e dos cedros, os áceres, os belíssimos tons amarelos dos castanheiros-da-índia, os amarelos, laranjas, vermelhos e castanhos dos frondosos carvalhos-americanos, os bordos nas terras ricas com o seu luminoso amarelo-ouro com notas avermelhadas, os longilíneos e trémulos choupos-negros com o seu amarelo-ocre, os freixos, amieiros e salgueiros que ladeiam o ribeiro que percorre todo o vale, a perfeição das tílias, a desmesura da sequoia-vermelha - que viverá por mil anos, o chão juncado de folhas que apertam o relvado, reduziremos o homem a uma infinita e insignificante pequenez.
E como se tudo isso não bastasse, o que nos toca mais no meio daquilo tudo é o silêncio. O silêncio absoluto. E a dimensão do absoluto mede-se paradoxalmente pela nitidez dos trinados dos rouxinóis, pelo canto limpo e repetido dos tordos, pelo restolhar dos melros nas folhas secas. E é esse silêncio que nos comove, e é esse silêncio que nos coloca num lugar indeterminado, num vazio inquietante difícil de detalhar e de compreender.

Perante esta explosão simultânea de violência e de tranquilidade, o que fazem os jogadores de golfe?
Cegos, perseguem uma bola.

sexta-feira, abril 11

Um longo passeio pelos greens (1)



Dificilmente me seguirão. Ninguém suporta conversas sobre golfe e golfistas. Como se isso não bastasse, vou usar termos específicos da modalidade que, provavelmente, nada vos dirão. Mas também não dizem muito. Quando o itálico enviesar a palavra não liguem e pensem que tudo se resume a se bateu ou não bateu na bola. Passem à frente. Evitarei juntar aos anglicismos os palavrões que os precedem ou que lhes sucedem. São estes que classificam com acuidade a qualidade da pancada. Não há só dois tipos de pancadas, tal como sugeri, mas uma infinidade delas e, por estranho que vos pareça, as perfeitas são raras, dificilmente as vemos. Melhor, ouvimos, porque o som do contacto com a bola é o primeiro sinal, e o mais fiável, para atestar a qualidade do bom shot. O som não engana. O contacto perfeito provoca no jogador uma sensação única de plenitude e no adversário a exclamação genuína de reconhecimento ou, por vezes, o elogio forçado, a dissimulação, o silêncio invejoso. Estranha estas palavras quem pensa que o golf (repararam no itálico e a perda do é) é um desporto cortês de uma elite aristocrática de sapatos de franja brancos e calças aos quadrados seguidos por rapazinhos enfezados que carregam sacos enormes cheios de ferros de todos os feitios e incapaz de tais sentimentos mesquinhos. Afastem essa ideia. Esse mundo, se existiu, acabou há muito. A roupa e os acessórios exclusivos foram substituídos pelas plebeias nike e adidas que tornaram o golfe num circo de cores que só tem paralelo no jogging de domingo à beira-mar; pensam, ainda assim, que os grupos de afortunados que se passeiam nos greens a falar de negócios e a matar o tempo que lhes sobra são alheios à competição; acham, seguramente, que não encontram ao longo das quatro horas do percurso um gesto que os comprometa, uma palavra que os vulgarize, uma atitude que os denuncie. Nada disso, simples mortais. Batem-se tenazmente. São capazes de tudo: das desculpas mais torpes, dos palavrões mais rascas, dos olhares mais inquisitivos, das atitudes mais vis. Se lerem as regras que regulam este longevo desporto e a minúcia das situações que prevê, percebem que a tentação para contornar as normas está latente neste jogo do demo. Fazem tudo por um bom cartão.
Mas há os que o interpretam como um jogo para Homens. Impolutos. Um jogo de deuses. Uma luta inglória e sem fim contra nós próprios e contra o campo. E aí não há lugar para a trapaça. Só há lugar para a desilusão, para o silêncio, para o abanar de cabeça, para o palavrão surdo. E também para a catarse.
Claro que não há os bons e os vilãos. Uns e outros. Os jogadores são uns e outros. Mas todos têm duas características em comum, não estranhem: a perseverança e a humildade – conservam-se firmes, não desistem e são, também, os primeiros a reconhecerem as suas limitações, os seus defeitos, as suas incapacidades. E isso é, bem sabem, difícil de aceitar e, sobretudo, admitir perante os outros - e é aqui que surge o embuste, a simulação, a vaidade.

segunda-feira, agosto 12

Recomeçar

Com Jesualdo pensei que tínhamos chegado definitivamente à conclusão que a um Sporting de parcos recursos económicos só lhe restava a aposta na formação. Temo que se tenha voltado atrás: chegaram inúmeros jogadores de qualidade duvidosa, recuperaram alguns manifestamente incapazes, empurraram os “miúdos” de qualidade inquestionável para o banco, para a B e, talvez, para fora.

Recomeça-se permanentemente no Sporting, talvez por ignorância do que se fez, talvez por vaidade.

sábado, junho 8

O Paulo e o Helder


Não sei se é deliberado, mas o Paulo vulgariza todas as suas equipas. Ele próprio, seleccionador nacional, discreto e avesso a convulsões, mantém um discurso previsível e redundante. O esforço e a entrega são as únicas estratégias para a equipa de todos nós. Ainda em nome do colectivo, esquece-se dos apelidos das estrelas, tornando-as tangíveis e humanas. Do Fábio ao João, do Rúben ao Cristiano. Se dúvidas houvesse, Paulo Bento coloca sempre o Postiga por sessenta e tal minutos e ficamos com a sensação que também nós, velhos e estropiados, poderemos um dia envergar a camisola das quinas. 

domingo, fevereiro 17

Jesualdo não andou pelas bancadas de Alvalade


A Bola

Jesualdo não andou pelas bancadas de Alvalade, nem pôde. O estatuto que granjeou e o percurso fora de portas não o permitiram. Se por lá tivesse andado, teria percebido, desde o início do campeonato, o mau estar dos adeptos pelas aquisições desastradas dos dirigentes e pelas desconcertantes opções tomadas jogo após jogo. E o que se dizia pelas bancadas? O óbvio, o que saltava aos olhos de todos: ponham os miúdos da B com dois ou três da “principal”, não mais, e farão boa figura, justificando, também, o que sobra do Sporting – a Academia.
Jesualdo pareceu-me empurrado para esta solução, mas talvez a tempo de a assumir e de marcar definitivamente o rumo para o clube.

domingo, janeiro 6

Fui a Alvalade


FIFA 2012


À minha frente, pai e dois filhos adolescentes, gémeos, um de cada lado numa simetria perfeita. O da esquerda jogou futebol todo o tempo no seu smartphone; o da direita, de smartphone também, procurou incessantemente algo que o distraísse; ao meio, o pai, alto, tal como os filhos, cabelo cuidado, camisa engomada de colarinhos rijos apertados por uma gravata a condizer, sobretudo comprido de corte clássico - esteve frio em Alvalade. Durante todo o tempo mantiveram a posição correcta na cadeira, costas bem apoiadas e pés bem assentes no chão. Se os rapazes tinham os cachecóis enrolados ao pescoço, o do pai esteve sempre nas mãos. Em movimentos quase imperceptíveis e durante todo o jogo aquelas mãos não pararam de dobrar, puxar, torcer, enrolar, amarrotar, esmagar aquele cachecol verde desfiado.

terça-feira, outubro 23

Braga, no mercado da marca branca


Público
Toda a América do Sul e em particular o Brasil representam desde há muitos anos um imenso mercado de jogadores. As equipas portuguesas foram as primeiras a explorarem exaustivamente este filão. Se os melhores jogadores vão inevitavelmente para as grandes equipas europeias, uma quantidade infinita de jogadores de altíssima qualidade, de nomes menos sonantes, encontram-se nas equipas portuguesas mais modestas.
E é aqui que o Braga trabalha, e é daqui que se tem vindo a construir. Estruturada pelo arguto presidente Salvador, sucessor directo de Pinto da Costa, toda a equipa, do treinador repescado de uma morte anunciada até ao incrível lote de futebolistas de “marca branca” que por lá joga, brilha à custa de um resgate de jogadores que o anonimato potenciou.
Seria de toda a justiça o Braga ganhar.