Também na Gulbenkian, ilustrações de bom gosto para Um chá para Alice.
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sábado, janeiro 19
As Idades do Mar, na Fundação
Também na Gulbenkian, ilustrações de bom gosto para Um chá para Alice.
sábado, novembro 24
«AlC IXH XAN»
Na moldura e em
grego, «AlC IXH XAN», «tão bem como posso». Auto-retrato de Ian Van
Eyck, 1433. De um fundo escuro sai um rosto tenso e observador. O turbante
vermelho, revolto, é uma magnífica demonstração de domínio técnico e de
composição tridimensional e, talvez, a representação simbólica de um espírito
enérgico e seguro. Porquê inscrever «AlC
IXH XAN» na parte de cima da moldura dourada? Num tempo em que os artistas não
assinavam as obras, esta pintura pode ser entendida como apresentação de
credenciais, de currículo ou de afirmação - Eu sou o que
posso.
domingo, junho 24
Retrato de uma jovem rapariga
Sabe-se muito pouco sobre Petrus Cristus. Como todos os grandes
pintores flamengos, passou pelas oficinas de Jan Van Eyck, sendo um
dos seus discípulos. As semelhanças com o mestre são evidentes, o domínio
técnico da pintura a óleo, o cuidado com o detalhe, a valorização do retrato
psicológico. Já o que o diferencia e valoriza tanto é a
austeridade ornamental, a elegância, a discrição. O “retrato de uma jovem rapariga” (1470) é
um exemplo magnífico, e do qual sabemos tão pouco:
segunda-feira, maio 14
O silêncio
A escolha de obras para a minha galeria terá poucas surpresas. Será, porventura,
uma galeria de obras de gosto padronizado e não fugirá muito às obras
paradigmáticas da cultura ocidental. Desta vez, Edward Hooper: escolho Nighthawks, a mais emblemática, e Morning Sun como poderia ter
escolhido, quase sem exceção, todas as outras. Na Wikipédia ou em qualquer outro sítio, podemos encontrar as
características da obra de Hooper, mas de todas a que mais me toca, e que atravessa toda a obra do norte-americano, é o silêncio que as envolve.
domingo, abril 8
Cordeiro Místico
Tive um professor de História da Arte que, tendo percorrido todos os grandes museus da Europa, elegia o Retábulo da Adoração do Cordeiro Místico, de Jan van Eyck, como a obra que mais o tinha impressionado. Numa visita à Bélgica, desloquei-me a Gand para confirmar. O políptico é de grandes dimensões e realmente impressiona: registo minucioso, atenção dada a cada detalhe da natureza, luminosidade das cores, elaborado jogo de luz e sombra, complexidade e riqueza de símbolos. Mas o Adão e Eva sobressaem. São espantosos, e de execução primorosa. Quase em tamanho natural, com uma nudez e gestos mais reais do que o acontecimento principal, transportam, no fundo,o sagrado para a esfera do humano. Únicos.
A escolha das minhas obras de arte preferidas começou desde os primeiros dias do blog, mas agora, sem entraves nem condicionalismos de qualquer ordem, construirei a minha galeria virtual, à semelhança do Google ArtProject. Usarei a etiqueta My Gallery, que surripiei também ao Google.
quinta-feira, março 1
quarta-feira, fevereiro 22
Trepadeira vermelha
As obras de arte que mais admiro têm como característica principal a
constante referência ao real, mas interpretado por um profundo subjetivismo.
Edvard Munch é um dos meus preferidos, pela carga emocional que subjuga o elemento racional. Uma das quatro versões do Grito vai ser leiloada em Nova Iorque e atingirá seguramente uma soma astronómica. Esse ícone da angústia
e da revolta é a obra mais conhecida, mas outras merecem também um relevo especial.
Entre tantas: Trepadeira vermelha, 1898-1900
sexta-feira, janeiro 6
Obras de Arte
Para os romanos não era o corpo nem os trajes ou atributos
acessórios o centro do interesse na retratística, mas sim o rosto com todas as
suas particularidades – a textura da pele e do cabelo, as marcas da idade, o
olhar..., em suma, a verosimilhança com o humano. É no período da dinastia dos Severos que
o retrato atinge o ponto mais significativo e específico da arte romana. Este
rosto de Caracala é, para mim, entre tantos outros do imperador, o auge da
expressividade do retrato psicológico e emocional. Perante esta delicada e primorosa execução escultórica, facilmente caracterizamos a
sua personalidade e o seu carácter.
domingo, dezembro 18
Aires e Mateus
Centro de Interpertação da lagoa da furnas, São Miguel.
Project House, Leiria.
Fotografias de Fernando Guerra
Project House, Leiria.
Fotografias de Fernando Guerra
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sábado, novembro 19
Inigualável
A expressão é serena, despojada, a luz suave e quente ilumina um rosto marcado
pelo tempo; a quietude das mãos, estranhamente cruzadas ao regaço, contrariam as pinceladas
soltas, largas e impressivas; o domínio técnico da cor é inigualável.
Este auto-retrato de Rembrandt é datado de 1669, ano da sua morte.
Este auto-retrato de Rembrandt é datado de 1669, ano da sua morte.
quinta-feira, novembro 3
Perspectiva das Coisas II, na Gulbenkian
quinta-feira, julho 21
quinta-feira, junho 2
A minha preferida
Com uma carta na mão, o Marquês despacha com o secretário. Ao lado, contra os joelhos da Marquesa apoia-se a filha pronta a trincar a maçã. Atrás, encontram-se alguns dos seus dez filhos de fatos bordados a ouro. Alguns bastardos. Usam meias altas com as cores da casa senhorial. Uma das ocupações preferidas de Ludovico Gonzaga, homem de espírito aberto, é a tarefa de saber redigir, ler e preservar manuscritos relativos à cidade de Mântua e da própria família. É neste contexto e nesta época, que Ludovico contrata Andrea Mantegna, “um pintor fora do comum como não se conhece outro”. Pintor de nome feito. E só assim se explica esta fabulosa e invulgar pintura, que capta a essência de cada um e de todo o clã num momento de grande descontracção familiar, e não na pose oficial a que estamos habituados. Ludovico de roupão e de pantufas, o cão ensonado e o primeiro plano dado ao secretário, marcam definitivamente esta obra pelo humanismo, pela atenção dada ao pormenor e pela mestria técnica. (Cliquem na imagem)
terça-feira, abril 19
terça-feira, fevereiro 8
Adão e Eva
Adão e Eva, século XII. Nenhum outro período tratou com tanta liberdade e com tanta vitalidade a figura humana. Com o Cristianismo, as imagens despojam-se da relação naturalista e racional da plástica clássica. Perde-se o sentido de volume e de perspectiva, pois convertem-se em símbolo e seguem uma orientação exclusivamente espiritualista. Numa europa iletrada, os artistas procuram, sobretudo, e sem limites formais, clareza narrativa.
segunda-feira, setembro 6
Mónica e o Desejo

Nos Ciclos de Cinema do DN, João Lopes recorda-nos Ingmar Bergman. No início dos anos oitenta, ainda tão marcados pelo cinema europeu, estreou Fanny e Alexander, um êxito naquela época, que me levou a descobrir algumas obras deste realizador sueco. Suécia que para nós tinha a reputação de um país próspero, evoluído e sexualmente liberal. De todos os filmes de Bergman, Mónica e o Desejo (1953) ficou na minha memória pelo dramatismo, pela complexidade das relações e, sobretudo, pela sensualidade de Harriet Andersson. Sensualidade bem expressa nesta belíssima fotografia que serve de cartaz ao filme.
domingo, julho 18
Caravaggio, génio e vilão
"Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão
e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente".
Respondeu-lhe Tomé: "Senhor meu e Deus meu! "
João 20:28
A originalidade e o carácter da sua obra consistem em conseguir uma mesma dimensão espiritual quer em cenas de costumes quer em assuntos religiosos. Caravaggio faz uma pintura próxima da vida, dos seus males, dos seus mistérios e das suas contradições. Os protagonistas das suas obras são homens comuns, representados em toda a sua simplicidade natural - foi um escândalo para a Igreja e para o próprio povo. Detentor de uma capacidade técnica de tratar as figuras num excessivo realismo, de conferir uma intensidade dramática aos assuntos e de um jogo cada vez mais contrastado de sombra e luz, Caravaggio foi, talvez, o mais significativo pintor barroco.
O comportamento intempestivo e provocante e a morte de um jovem levaram-no a abandonar Roma, vindo a morrer há precisamente 400 anos, com 38 anos.
Aqui Caravaggio na série O Poder da Arte, de Simon Schama.
terça-feira, junho 22
Domenico Ghirlandaio
Em 1486 Giovanna degli Albizzi, nascida em 1468 numa das famílias mais importantes da cidade, contrai matrimónio com Lorenzo, outro jovem nobre da localidade, da família Tornabuoni e aparentado com os Médici. O enlace se celebra, augurando uma vida cheia de riqueza e de felicidade que se veria prematuramente interrompida com a morte de Giovanna aos dezanove anos, quando do nascimento do seu segundo filho. O jovem viúvo encarrega a um dos grandes mestres do momento e amigo da sua família, Domenico Ghirlandaio, um retrato que lhe permitia recordar e honrar para sempre a memória da sua esposa e que reflectiria não só a sua beleza exterior como também o interior: "ARS VTINAM MORES / ANIMVMQVE EFFINGERE / POSSES PVLCHRIOR IN TER / RIS NVLLA TABELLA FORET"; "Oxalá pudera a arte reproduzir o carácter e o espírito! Em toda a terra não se encontrará um quadro mais formoso". Assim reza o escrito que Ghirlandaio pintou no próprio retrato que alude, em primeiro lugar, às virtudes que possuía Giovanna durante a sua vida, que apenas se podem plasmar em imagens e, em segundo lugar, realça a arte da pintura, algo assim como “vejam do que é capaz a pintura”.
Na Fundação Calouste Gulbenkian existe também um belo retrato de uma jovem de Domenico Ghirlandaio.
quarta-feira, maio 12
Richard Serra, Prémio Astúrias das Artes
Escultor minimalista que privilegia, em trabalhos abstractos, a ordem, a clareza e a simplicidade. Reparem na escala colossal desta obra! Não faria o menor sentido se não fosse desta dimensão, pois não?
Ao artista norte-americano o que lhe interessa é a experiência dos visitantes a percorrer e a viver as suas esculturas. Thomas Krens, director da Fundação Guggenheim, chegou a comparar este espaço com a Capela Sistina. Serra, com sentido de humor, contestou a entrevista concedida a ABC: «Krens não é o Papa, nem eu Miguel Ângelo». quinta-feira, abril 29
A Natureza-Morta na Fundação Calouste Gulbenkian
É sempre com enorme prazer regressar à Fundação. Os jardins estão magníficos e a exposição é belíssima. A Natureza-Morta na Europa está em exibição até 2 de Maio e explora os temas recorrentes da natureza-morta ao longo da história: frutos, caça, cozinhas, pintura de flores, Vanitas e obras em trompe-l'oeil.Já na Antiga Grécia, um dos critérios para avaliar uma pintura era a semelhança com o real - mimesis. Conta-se que o pintor Zeuxis foi louvado por pintar uvas tão realistas que os pássaros vinham debicá-las porque as confundiam com frutos verdadeiros. O próprio Zeuxis também se deixou enganar ao tentar abrir uma cortina pintada pelo seu rival Parrhasius.
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