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quarta-feira, abril 4

SAPIENS, Yuval Noah Harari. O animal que se tornou um deus

«Apesar das coisas espantosas que os humanos são capazes de fazer, continuamos sem ter a certeza dos nossos objectivos e parecemos estar mais descontentes do que nunca. Avançámos das canoas para as caravelas, para os barcos a vapor, para vaivéns espaciais - mas ninguém sabe para onde vamos. Estamos mais poderosos do que alguma vez estivemos, mas não fazemos a mínima ideia do que fazer com todo esse poder. Mas pior ainda é que os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses autoproclamados, com apenas as leis da física para nos fazerem companhia, não somos responsabilizados por ninguém. Estamos, assim, a espalhar o caos sobre os nossos companheiros animais e o ecossistema envolvente, em busca de pouco mais do que o nosso próprio conforto e divertimento, sem, no entanto, nos darmos por satisfeitos.
Existirá algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?»
Sapiens, Yuval Noah Harari. Elsinor

segunda-feira, outubro 16

A lição de Tiago Oliveira, engenheiro florestal


Na RTP3, entre as sete e as sete e vinte, vi e revi a entrevista do engenheiro florestal, Tiago Oliveira. Num tom agastado, cansado provavelmente de repetir ano após ano as mesmas coisas, advoga a única via possível: adequar metodologias internacionais de prevenção e combate aos incêndios, tratar da vegetação durante todo o ano, vigiar os espaços, educar a população. 

terça-feira, junho 28

Bicicletas


Já tudo foi dito sobre Amesterdão: água, muita água; turistas, muitos; muitas flores; milhares de bicicletas. Mas foram as bicicletas - pardas, ferrugentas, qual erva daninha,  que me impressionaram mais. O binómio bicicleta/holandês parece fruto de um aperfeiçoamento “genético” ao longo dos tempos. Quase modelo único: discretas, roda alta, volante elevado puxado para trás, uma distância dos pés ao chão digna de uma confiança e equilíbrio naturais. A forma sisuda da bicicleta dilui-se e faz com que seja fácil distinguir os habitantes de amesterdão, permitindo  às belas holandesas uma postura vertical, costas bem direitas num movimento pendular das longas pernas, olhar altivo, e uma elegância e naturalidade desarmantes.  

quarta-feira, setembro 2

Por Praga e Viena







Penso que é isto que procuramos numa cidade: uma estrutura arquitectónica, urbanística e paisagística inovadora, que distinga os povos e que preserve uma vivência colectiva única.
Foi isso que encontrei nestas duas capitais do centro europeu. Palmilhei Praga e Viena durante uma semana e verifiquei o que esperava: belas cidades de passado forte e rico. Mas a capital austríaca pareceu-me das mais perfeitas. Surpreendeu-me o requinte e monumentalidade dos edifícios, a quantidade e cuidado com os espaços verdes, a aposta nos diversos tipos de transportes (realce para as bicicletas e o espaço destinado aos peões) e, sobretudo, a maneira como os vienenses vivem descontraidamente a cidade.

terça-feira, agosto 4

Sebastião Salgado, de novo


Pràs bandas de Belém, na Cordoaria Nacional, último dia de Génesis, de Sebastião Salgado. A extensa fila ultrapassava a dos pasteis e a do Mosteiro. Cinquenta minutos de passos curtos, de muitas pausas embalando o corpo de uma perna para a outra. A conversa com as minhas raparigas fluiu amenamente. O linguajar que pairava pela sombra quente do Torreão Nascente da Cordoaria era dos mais diversos pontos do frágil planeta. Tal como as belas fotografias do brasileiro Sebastião Salgado. Era disso que tratava a exposição: de fragilidade e beleza.

terça-feira, maio 13

Chá de Menta com Mel


Na Wikipédia: as mentas são plantas herbáceas vivazes. Em suas propriedades medicinais, é usada como anti-séptico, aromática, digestivo, estomáquica e expectorante. 

segunda-feira, maio 13

Tweet of the day - rouxinol


Tweet of the Day is a series of fascinating stories about our British birds inspired by their calls and songs.David Attenborough presents the extraordinary duet between cellist Beatrice Harrison and a nightingale recorded live as an outside broadcast and the first broadcast of any wild animal not in captivity.

http://www.bbc.co.uk/radio/player/b01sby02
http://www.elmundo.es/especiales/2008/05/ciencia/sonido_naturaleza/sonidos_17_05_2013.html
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/XN_Luscinia_megarhynchos_012.ogg

quinta-feira, julho 19

Por caminhos de Sanabrés. Sete dias. Sete ideias.

  • O ordenamento do território tão visível aos nossos olhos durante todo o percurso: aproveitamento das potencialidades, utilização racional desse território, proteção do ambiente, ...;
  • a extensa e preservada mata de carvalhos e castanheiros que nos envolveu e protegeu;
  • a beleza do caminhos;
  • o património histórico. Em particular, o Mosteiro Cisterciense de Oseira onde pernoitámos depois de uma visita a todo o mosteiro e missa cantada pelos 16 monges cistercienses;
  • o esforço físico que nos aproximou das palavras de S. Bernardo " Oh alma que és verdadeiramente a mais bela, mesmo que habites um corpo inepto...";
  • a comida - abundante e bem cozinhada;
  • a afabilidade dos galegos, a simpatia e solidariedade dos caminhantes que conhecemos, em especial os catalães - o afável Miguel, Óscar e Laura, o eterno caminhante de Bréscia, Piero, e em particular o meu amigo Paulo Coimbra (blog)- amigo de sempre. 


sábado, maio 26

Landscape Architecture Now, Taschen


Jardim Australiano, Cranbourne, Victoria
Memorial Princesa de Gales, Hyde Park, Londres
 Feira Mundial de horticultura, Xi`an, China
Linha de onze minutos, Wanas, Suécia

quarta-feira, abril 4

1,49 euros


Não se trata de uma natureza-morta de um mestre flamengo, mas sim de uma fotografia tirada por alguém perplexo na hora de escolher maçãs. Em alturas de crise e forte preocupação ambiental, a origem dos produtos é importante. Se repararem na foto as Royal Gala custam 1,49 euros, tal como as Starking e as Golden Delicious. As primeiras colhidas na Nova Zelândia!!! e as outras na Argentina e Portugal. Da América do Sul e da China estamos habituados: mão-de-obra barata e escrava, sem segurança social, blá, blá blá. Mas da Nova Zelândia? Alguém consegue explicar a razão do preço ser idêntico?

terça-feira, março 20

Choupos, áceres, castanheiros-da-índia ...

Ana Filipa

Sou de uma pequena vila onde uma falha geológica faz brotar águas minerais gaseificadas, que uma empresa se lembrou de vender em pequenas garrafas verdes. Eram homens de bom gosto, diga-se. Construíram um magnífico hotel, o Palace, e rodearam-no por milhares e milhares de árvores das mais variadas espécies e das mais variadas latitudes. Tudo isto começou há muitos anos. Agora, plátanos vigorosos misturam-se com todas as espécies de cuprésseas, choupos, áceres, castanheiros-da-índia, amieiros, carvalhos-americanos, uma sequóia gigante - que viverá por mil anos; copas de tílias de uma perfeição incrível pontuam uma paisagem que no Outono atinge a perfeição. Não exagero se disser que os de Vidago conhecem as árvores uma a uma. O meu pai também.
Gosto de quem gosta de árvores. Uma boa escola trata bem delas. É uma atitude altruísta e nobre esta de plantar e de ensinar, porque os seus frutos, se os houver, só aparecerão muito tempo depois e fundamentalmente para os outros.
Entrei pelo portão de baixo e percebi que ia gostar da Fernão Mendes Pinto. A um frondoso pinheiro-manso e a duas oliveiras já adultas, que marcam um dos limites da escola, sucedem-se cedros, nespereiras, árvores de incenso e do frio, ameixeiras-silvestres de um vermelho intenso, figueiras, olaias e tantas outras, todas elas jovens e viçosas. Por toda a escola, o cuidado mantém-se: um belo e discreto cipreste marca o terceiro pavilhão; um cedro e um pinheiro pujantes aconchegam a biblioteca; palmeiras e uma bananeira dão um toque meridional; tílias recentes, e ainda tão frágeis, unirão com a sua sombra os vários blocos; variadíssimas espécies suavizam e embelezam os limites da escola.
Terão entre os treze e os dezoito anos. São das mais variadas espécies, de origens diversas, com formas e graus de desenvolvimento diferentes. Para tratar delas um batalhão de silvicultores, botânicos, jardineiros e especialistas da nossa flora. Uns, poucos, não gostam daquilo que fazem e acham que as espécies já não são o que eram, que as ferramentas não são as mais adequadas, que o tempo se alterou irremediavelmente. Os outros, uma larga maioria, são estudiosos, preocupados, generosos, partilham conhecimentos e experiências, estão atentos na observação de cada uma. Perante o sucesso, um inefável bem-estar apodera-se deles, face ao insucesso, agem com mais determinação, mexem na terra, revolvem-na, analisam-na, combatem os fungos e as ervas daninhas, compensam-na com fertilizantes de acordo com as necessidades da cada espécie, são meticulosos nas regas para as não asfixiar com excesso de água ou definhá-las com a falta dela. Dentro deste grupo, uns há, que as estacam, que as dirigem na direção que acham certa, podam-nas de acordo com seu gosto, moldam-nas conforme a educação que tiveram, preferem certo tipo de árvores – as mais dóceis. Outros gostam da diversidade, preferem deixá-las crescer livremente preocupando-se exclusivamente com criação das melhores condições para que esse desenvolvimento se faça e se potencie as capacidades de cada uma.


sexta-feira, fevereiro 10

Mondego, Daniel Pinheiro

"MONDEGO" by Daniel Pinheiro from Daniel Pinheiro on Vimeo.

Synopsis 
A river acclaimed by poets and songwriters, closely entwined in the History of Portugal. As its waters merge with the sea, a small stream, hidden in the high mountains of Serra da Estrela, continues to ensure the Mondego breathes life into its great variety of habitats and wildlife.

sábado, junho 25

Magnólias, sequoias, castanheiros ...



A Quinta da Regaleira está situada num lugar magnífico. A serra de Sintra envolve-a, dá-lhe continuidade. O jardim, exuberante, de desenho primitivista, um regalo. Quanto ao resto, à residência neomanuelina de Carvalho Monteiro, aos lugares imbuídos de mistério, de magia e simbolismo, não senti qualquer apelo romântico. Pena minha. Retive, no entanto, pormenores deliciosos em toda a propriedade e em particular nos relevos primorosos sobre a caça da sala de jantar.

sábado, junho 18

Festa do Campo

                                                                                             Foto Público
Gostei da ideia de levar o campo à Baixa de Lisboa. Não deve ter sido fácil. Apercebi-me que envolveu um rigoroso planeamento, meios sofisticados, um enorme esforço. A agricultura dos nossos dias envolve cada vez mais meios tecnológicos, conhecimentos científicos, engenharia genética, biodiversidade, etc. No entanto, a animação da Festa do Campo insiste na caricatura tradicional do agricultor português em sketches anacrónicos que fazem lembrar os romances deliciosos de Júlio Dinis. Da carroça aos ranchos folclóricos, do garrafão ao espantalho, a nossa televisão não ajuda a retratar nem a promover um mundo novo e sofisticado.