domingo, novembro 13

Sem o dinheiro somos como um corpo sem sangue



A tese de Anselm Jappe, no Atual, suplemento do Expresso, surpreende-me  e reduz a minha perspectiva, a minha perspicácia, tão agarradas e obcecadas pela conjuntura económica europeia, a nível da paróquia. Precisamos urgentemente de mais filosofia e de política. E o que diz o filósofo alemão de novo. Diagnostica a situação terrível em que nos encontramos. Alerta para a decomposição e fim do capitalismo e traça um cenário de desagregação assustador. O caso argentino e dos países de leste surgem como exemplos, mas a extensão a nível planetário aponta para um cenário apocalíptico. A tese do alemão parte da constatação de que o dinheiro só é “real” a partir do momento em que é expressão de um trabalho verdadeiramente executado e do valor no qual esse trabalho se representa. O resto do dinheiro, como ele diz, não é senão uma ficção. O colapso do sistema financeiro confrontar-nos-á com as consequências do facto de nos termos entregado, de mãos e punhos atados, ao dinheiro. Sem ele, diz, somos como um corpo sem sangue.
Anselm Jappe não tem soluções. Aponta, teme uma longa e dolorosa aprendizagem para uma sociedade pós-dinheiro. E isso é assustador.

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