sábado, maio 22

Mourinho, o maestro


Mourinho é um maestro, um grande maestro - não um compositor. Mourinho faz-me lembrar Dudamel, o maestro venezuelano. Novos, irreverentes, inteligentes. Dirigem as melhores orquestras do mundo, mas Mourinho é incapaz de criar.
Recordem-se das equipas por onde passou. No futebol praticado por todas elas, não encontram uma maneira de jogar à Mourinho. Arguto, José Mourinho, adapta-se ao futebol de cada país. Aprende a língua rapidamente com o objectivo de entender, clarificar, valorizar o futebol de cada um: no F. C. do Porto, interpretava melhor que ninguém o futebol luso-brasileiro; no Chelsea, o futebol inglês, total e ofensivo, marcou-o definitivamente e quer voltar; no catenaccio italiano, mesmo num Inter recheado de sul americanos, vem confirmar o brilhante maestro em que se tornou. Interpretou Herrera melhor que todos os outros.
Como português, não pode ficar num futebol que não quer a bola. Agora percebo a desilusão de Mourinho pelo futebol italiano.

1 comentário:

  1. Compreendo e até concordo com ponto de vista do meu amigo mas consigo ver alguma criatividade no chefe Mourinho. Vejo-o mais como um cozinheiro de um restaurante com uma boa relação preço/qualidade. Sem estrelas michelin mas com um pragmatismo que lhe permite fazer adaptações muito eficazes nas receitas locais. A criatividade está na fusão. Desta vez foram os escalopes à Milito. E, além disso, "para dançar o Tango são necessários dois". Em Madrid só vejo o "El Bulli" como concorrência mais forte.

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