domingo, julho 24
quinta-feira, julho 21
quarta-feira, julho 20
Ideia de Europa
Se a direita sempre valorizou a tradição e os nacionalismos, não estaremos a pedir muito a uma Europa de governos conservadores que aposte num projecto de integração e solidariedade?
terça-feira, julho 19
Cartas de Vidago, Crise versus rating
É preciso ficarmos endividados e entalados numa crise sem fim à vista para percebermos que há umas todas-poderosas instituições que sentenciam acerca da nossa pobreza apontando com o seu dedo penalizador: não emprestes mais dinheiro àquele, corres o risco de ficar sem ele. Já todos sabemos pela experiência e pela História que há sempre quem se queira aproveitar da miséria alheia. Seja pela usura, seja pelo aproveitamento das carências das vítimas, esse oportunismo pode assumir várias formas. O que me parece estar em causa no presente, confirmada por várias análises, é a descredibilização intencional para daí alguém tirar dividendos. Somos pobres e desprotegidos, mas ainda nos querem fazer mais pobres, para ficarmos ainda mais desprotegidos e assim termos que um dia pagar a protecção bem cara, com iminente perigo para as liberdades e direitos individuais. É a exploração do homem pelo homem na sua essência mais vil e primitiva, envolvida por uma capa moderna e sofisticada cheia de gráficos, números, percentagens e anglicismos contundentes. Tudo evolui, mas há mecanismos que se mantêm inalterados desde que há mais de dez mil anos, o homem descobriu que se for mais forte se sente na legitimidade de aniquilar o mais fraco.
Portugal é um país com uma língua falada por mais de duzentos milhões de pessoas; tem potencial humano que teve papel fundamental na reconstrução do caos deixado pela segunda guerra mundial; nos últimos vinte anos renasceu de um enorme atraso estrutural; tem o direito de se reclamar um dos pioneiros de um mundo global com mais de quinhentos anos; ajudou a descobrir e a edificar o maior e mais poderoso país do mundo; teve a capacidade de absorver mais de um milhão de retornados das ex-colónias; orgulha-se de ter uma diáspora que tem dado provas de responsabilidade, perseverança e capacidade de trabalho; forma técnicos e quadro superiores com lugares de destaque em todo o mundo. Apenas enunciando algumas qualidades. Um país com estas características é considerado “lixo”. Com que bases nos colocam num patamar tão fedorento? Que legitimidade têm estas instituições que mandam tapar o nariz aos que nos querem visitar? Porque só existem três, e todas sedeadas no mesmo país? O poder tem-se concentrado de tal forma que basta um estalar de dedos para arruinar uma grande empresa, uma região ou um país. É caso para inferir: está legitimada a bomba atómica da economia? Os alvos estão indefesos e as vítimas estão inocentes. Cuidado! Aprenda-se com a História e encontrem-se outras soluções. Relembro que o recurso à letal bomba foi aplicado porque se tratava de um país agressor com intenções de domínio planetário. E nós, somos um país agressor? Por que nos querem fazer mal? Porque estamos integrados num conjunto que poderá ser agressor? A Europa, no seu conjunto, tem-se afigurado muito mais como uma aliança reguladora do que agressora, por isso não vejo razões para tanta hostilidade. Portugal, apesar de todas as potencialidades, apenas tem um enorme problema que nunca mais consegue resolver: consegue muito melhor desempenho laboral fora do país do que dentro das suas fronteiras. Problema justificado pelos fracos recursos nacionais comparados com os de outros países. Mesmo assim poderiam explorar-se muito melhor. E foi aqui que desperdiçámos a soberana oportunidade de criar também uma estrutura produtiva competitiva e sustentável. Podemos pelo menos contar com uma boa recuperação estrutural que em muito contribuiu para o nosso endividamento. Agora que não se pode regressar ao passado, resta-nos rentabilizar essas estruturas privilegiando a produção em detrimento do pavoneio exibicionista alimentado pelo consumismo descontrolado. Será que ainda vamos a tempo? Não basta cortar na despesa e aumentar as receitas sempre com a contribuição dos mesmos sacrificados. Para o pagamento da dívida e a criação de condições de sustentabilidade têm que ser convocados todos os agentes para que seja feita uma distribuição equitativa de responsabilidades e a proporcional atribuição das tarefas a desempenhar tendo em vista nobres desígnios de afirmação, dignidade e soberania.
José M. Carvalho
domingo, julho 17
Cartas de Vidago, Geração Vinil
Eis a designação dada à noite de 9 de Julho última, para um programa com jantar e “dancing all night long” no Casino de Chaves.Do Vinil ao ipod, a espera não foi longa, mas é suficiente para ter muitas saudades das longas e animadas sessões de bailes de garagem, soirées dançantes, tardes de discoteca e noites ébrias de boémia, sempre ao som da eternizada música do vinil dos anos 70 e 80.Saudades atenuadas nesta noite em que o Casino de Chaves tirou alguns anos e quilos do peso cinquentão de muitos presentes. A sessão começou com os deliciosos “milhos com fumeiro” como couvert às 9 da noite e terminou com alguns litros de água às 3 horas da manhã. O resto da ementa poderia ter recorrido mais à variedade transmontana, e assim o Chef de cozinha teria evitado o excesso de carne de porco e de sal. Retirando esta pequena contrariedade, tudo foi perfeito para ajudar ao rejuvenescimento dos “cotas” que voltaram a ser “teenagers” durante algumas horas. Foram momentos em que até as carecas se recobriram de cabelos, o grisalho recoloriu-se, as rugas alisaram-se, os discos das vértebras foram todos ao sítio, as bengalas foram todas postas de lado, o corpo agilizou-se e tolerou um copinho a mais e o espírito agradeceu.
Espera-se que a aliança entre as músicas e os seus fãs continue em mais sessões idênticas, que perdure e ajude à intemporalidade de uma época que marcou indelevelmente várias gerações. (assim seja, àmen)
José Manuel Carvalho
sábado, julho 16
Manuel Maria Carrilho
"O milagre era vivido com tal fervor que o que parecia tentador era prometer ir ainda "mais além", ignorando-se completamente que o objectivo fundamental do Memorando (da Troika) era, sobretudo, o de garantir o reembolso em perigo de empréstimos concedidos, confiscando para o efeito a energia, os bens e as ilusões ainda disponíveis no País. Talvez por isso, ninguém explicou como é que, afundando Portugal na recessão, a "estratégia" do memorando permitiria diminuir o défice e viabilizar o regresso aos mercados em 2012 e 2013. E quanto ao crescimento... nem uma palavra!". Mais no DN.
sexta-feira, julho 15
Crua constatação
A catadupa de números apresentada pelo novo ministro para justificar o corte no subsídio de natal leva-nos à crua constatação de um facto: um país pobre que não vive acima das suas possibilidades - "65 por cento dos agregados familiares, estão excluídos do pagamento do imposto. E cerca de 80 por cento dos pensionistas – o equivalente a 1,4 milhões – estão excluídos do pagamento da sobretaxa de IRS"(Público)
quinta-feira, julho 14
Cartas de Vidago - Quando for grande não quero ser…
Quando for grande não quero ser como ninguém desta gente com quem agora lido e no entanto me faz crescer. São eles que vão fazer de mim o que eu não quero ser. Ainda não sei o que quero ser, mas sei que não quero ser como eles. Eles tratam-me bem, dão-me prendas, fazem-me festas e são simpáticos comigo. Ensinam-me coisas sem se aperceberem e eu aprendo-as sem querer umas e por querer outras. Mas mesmo assim não quero ser o que eles são. Gente de bem, gente de mal. Uns polidos e engravatados, outros decrépitos e nauseabundos. Todos bem-intencionados mas todos com algo que eu não quero ser: defeitos do ser humano que uns têm sem querer, que outros gostam de evidenciar e que eu gostaria de eliminar.
Quando for grande quero ser eu.
José M. Carvalho
Quando for grande quero ser eu.
José M. Carvalho
segunda-feira, julho 11
quinta-feira, julho 7
José Gomes Ferreira
José Gomes Ferreira tem sido o jornalista económico mais sólido, perspicaz e acutilante. Nos últimos anos, tem alertado, de uma forma clara e com uma angústia que já não consegue esconder, para o irracionalismo e o perigo das opções tomadas pelos nossos governantes. Merecia que o ouvissem mais.
segunda-feira, julho 4
888 páginas magistrais
A leitura racista da história, vista à luz de um darwinismo social:
«A política não é mais do que a luta de um povo pela sua existência.», afirmou Hitler: «O mais fraco cai para que o forte possa viver.» Os valores que determinavam o destino de um povo eram três: «sangue» ou «valor racial», o «valor da personalidade» e o «espírito combativo», ou «ímpeto da conservação da própria vida». estes valores, incorporados na «raça ariana», eram ameaçados pelos três «vícios» - democracia, pacifismo e internacionalismo - que constituíam o trabalho do «marxismo judeu».
Optimismo absurdo:
«Munique, Bremen, Dusseldorf contavam-se entre as cidades que foram alvo de uma destruição em grande escala. Hitler disse que ficou satisfeito por o seu apartamento em Berlim ter ficado danificado; não lhe teria agradado que tivesse sido poupado - obviamente, não teria parecido muito bem - quando o resto da cidade tinha sido atacado. Pensava que o bombardeamento pudesse ter um efeito salutar, despertando a população de Munique para as realidades da guerra. Os bombardeamentos aéreos tinham outro aspecto positivo, disse a Goebbels a meio de Agosto: poupou-nos o trabalho ao destruir edifícios que, em qualquer dos casos, teriam de ser demolidos a fim de se proceder à implementação do novo plano de urbanização da cidade depois da guerra.»
Determinação de uma psique mórbida:
«Nós não capitularemos. Nunca. Podemos perder. Mas levaremos o mundo connosco.» Hitler, 1945.
E muito mais nas quase 900 páginas de uma excelente biografia.
sábado, julho 2
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