Surpreende-me que ninguém tenha argumentado que deve ser o oposto: que a má arquitectura tem de ser penalizada. Ou seja, que a fraca exposição e orientação solares, a má qualidade ambiental, os coeficientes que indicam falta de conforto devem ser, estes sim, agravados e, obviamente, beneficiados todos os edifícios que respeitam as normas ambientais, que se integram na paisagem, que reduzem consumos, que proporcionam uma vida melhor.
sábado, setembro 24
Um prémio para a má arquitetura.
Surpreende-me que ninguém tenha argumentado que deve ser o oposto: que a má arquitectura tem de ser penalizada. Ou seja, que a fraca exposição e orientação solares, a má qualidade ambiental, os coeficientes que indicam falta de conforto devem ser, estes sim, agravados e, obviamente, beneficiados todos os edifícios que respeitam as normas ambientais, que se integram na paisagem, que reduzem consumos, que proporcionam uma vida melhor.
sexta-feira, setembro 16
William Carvalho
Ah! Se eu pudesse ter de novo 10 anos e escolher a equipa como fazíamos
em miúdos, escolho eu escolhe tu. Se em sorte me coubesse, apontaria em primeiro lugar para o William Carvalho para jogar ao meu lado no meio campo, equipados de verde e branco.
O jogo no Barnabéu foi mais um que confirmou o brilhante jogador de equipa que ele é. A intuição e a inteligência tocaram-no. Toda a equipa roda. Toda a equipa se mobiliza. Toda a equipa brilha. As soluções rapidíssimas que encontra em situações embaraçosas são sempre de uma naturalidade desconcertante - aquele modo de jogar conforme lhe apetece, com pouquíssimos adornos: aquele avançar, deter-se, rodopiar, deixar correr a bola muitas vezes sem lhe acrescentar nada.
O jogo no Barnabéu foi mais um que confirmou o brilhante jogador de equipa que ele é. A intuição e a inteligência tocaram-no. Toda a equipa roda. Toda a equipa se mobiliza. Toda a equipa brilha. As soluções rapidíssimas que encontra em situações embaraçosas são sempre de uma naturalidade desconcertante - aquele modo de jogar conforme lhe apetece, com pouquíssimos adornos: aquele avançar, deter-se, rodopiar, deixar correr a bola muitas vezes sem lhe acrescentar nada.
domingo, setembro 11
sábado, agosto 27
Elena Ferrante e Enid Blyton
Estranharão esta associação, mas os dois primeiros volumes
da tetralogia de Elena Ferrante remeteram-me para esse prazer de ler que Os
Cinco de Enid Blyton me proporcionaram nos estios quentes de Vidago de há muito
tempo. A escrita luminosa, a desenvoltura da narração, as personagens incríveis
e imprevisíveis levam-me a sentir de novo a sofreguidão e a excitação daqueles tempos de miúdo.
«A história é bonita, uma história dos dias de hoje muito
bem articulada, e escrita de uma forma que nos surpreende constantemente; mas o
essencial não é isso: é a terceira vez que leio o livro e em cada página há
algo de poderoso que não consigo compreender de onde vem.»
História do Novo Nome, Elena Ferrante
domingo, agosto 14
A Amiga Genial, Elena Ferrante
Segui o conselho de Carlos Vaz Marques no clássico inquérito de verão da Visão, e não podia estar mais de acordo com ele: sei que terei saudades de Elena e Lila quando terminar o último livro da tetralogia de Elena Ferrante.
O primeiro, A Amiga Genial, é delicioso.
« Lila, com um rubor repentino na garganta e em torno dos olhos, puxou o marido energicamente pelo braço e disse-lhe qualquer coisa ao ouvido. Sílvio fez um ligeiro gesto aos filhos, Manuela olhou-os com orgulho de mãe. O vocalista começou a cantar Lazarella, imitando sofrivelmente Aurelio Fierro. Rino convidou Marcello a sentar-se, com um sorriso amigável. Marcello sentou-se, desapertou a gravata, cruzou as pernas.
O imprevisível só nessa altura se revelou. Vi Lila perder a cor, tornar-se pálida como era em miúda, mais branca do que o vestido de noiva, e os olhos tiveram aquela repentina contracção que os transformava em duas fendas. Tinha uma garrafa de vinho na frente, e temi que o seu olhar a trespassasse com uma violência tal que a fizesse em mil estilhaços, com o vinho a esguichar por todo o lado.. Mas ela não estava a olhar para a garrafa. Olhava para mais longe, olhava para os sapatos de Marcello Solara.»
quarta-feira, agosto 3
Ravelstein, de Saul Below
«Se não sair como um chilrear de um pássaro, não vale nada.»
Talvez o meu ouvido não estivesse preparado para este Saul Below, Ravelstein.
sexta-feira, julho 29
sábado, julho 23
Pornopopeia. Uma festa de safadezas e de bem escrever
Reinaldo Moraes, Pornopopeia, Quetzal
terça-feira, julho 12
Três ou quatro coisas sobre o Europeu
Este europeu representou um retrocesso no futebol
espetáculo que tem vindo a ser seguido pelo futebol ao nível de clubes. Neste contexto de futebol de cariz pragmático, a equipa portuguesa é uma justa
campeã. Fernando Santos é inteligente, perspicaz, ouve tudo e todos e isso reflectiu-se nas diversas alterações na composição da equipa ao longo do campeonato. Ainda
assim, e a mim que ninguém me ouve, o treinador campeão não conseguiu contrariar a previsibilidade
do jogo português com Ronaldo em campo nem conseguiu resistir à promoção meteórica
e exclusivamente mediática da pop star Renato Sanches.
terça-feira, junho 28
Bicicletas
Já tudo foi dito sobre Amesterdão: água, muita água;
turistas, muitos; muitas flores; milhares de bicicletas. Mas foram as bicicletas - pardas, ferrugentas, qual erva daninha, que me impressionaram mais. O binómio bicicleta/holandês parece fruto de um aperfeiçoamento “genético” ao longo dos tempos. Quase modelo único: discretas, roda alta, volante elevado puxado para trás, uma distância dos pés ao chão digna de uma confiança e equilíbrio naturais. A forma sisuda da bicicleta dilui-se e faz com que seja fácil distinguir os habitantes de amesterdão, permitindo às belas holandesas uma postura vertical, costas bem direitas num movimento pendular das longas pernas, olhar altivo, e uma elegância e naturalidade desarmantes.
sábado, junho 11
Morbidezza
«A palavra que significa melhor o seu corpo é: turgente. Açodada pelas minhas ficções salazes, tudo nela se torna curva e proeminência, sinuosa elevação, de têmpera branca. Essa é a consistência que o bom degustador deveria preferir para a sua companheira na hora do amor: terna abundância que parece a ponto de se derramar mas que se mantém firme, solta, elástica como a fruta madura e a massa recém-amassada, essa terna textura que os italianos chamam morbidezza, palavra que até aplicada ao pão soa a lasciva.»
Mário Vargas Llosa, Elogio da Madrasta
Subscrever:
Mensagens (Atom)









