"Lembra-se...? Dostoiévski descreveu... Como um homem chicoteava o cavalo nos olhos mansos. Homem louco! Não na garupa, mas nos olhos mansos..."
quarta-feira, abril 6
Vozes de Chernobyl, Svetlana Alexievich
"Lembra-se...? Dostoiévski descreveu... Como um homem chicoteava o cavalo nos olhos mansos. Homem louco! Não na garupa, mas nos olhos mansos..."
A Vitória do número
A estratégia de Rui Vitória explica-se facilmente: acredita
que a quantidade de jogadores em disputa direta da bola é proporcional à possibilidade
de a dominarem. Simples. Matemática pura e simples. O Professor rendeu-se a
Pitágoras - tudo é número. Sem pudor e se necessário, defende com toda a equipa no último
terço; atreve-se, atacando com um número semelhante à das equipas que defendem;
disputa cada bola em qualquer espaço com maior número de homens. Apregoa, sem
o semblante de um general romano, o mérito do coletivo, mas dificulta, com a
estratégia eficaz que adotou, qualquer pretensão de individualismo e
criatividade.
Para os amantes do ludopédio, e num espetáculo como o
futebol tem que ser, é possível aproximar a arte de bem jogar à estratégia fria
dos números?
Sim, é possível: vejam
Jesus e seus apaniguados.
sexta-feira, março 25
Quando o futebol se deslocou para norte
Na década de 70, todos percebemos que havia mais do
que o futebol brasileiro. Sim, até ali não havia mais nada. O futebol europeu resumia-se a um jogo esforçado, dedicado e estéril.
Aquelas camisolas brancas de tira larga vermelha do Ajax surpreenderam-nos. Todos nós, miúdos agarrados a uma bola desde que nascemos, arregalámos os olhos para perceber este comportamento coletivo contracultura, de movimentos largos, de movimentações sincronizadas e de uma criatividade dada a solistas de outra estirpe.
Aquelas camisolas brancas de tira larga vermelha do Ajax surpreenderam-nos. Todos nós, miúdos agarrados a uma bola desde que nascemos, arregalámos os olhos para perceber este comportamento coletivo contracultura, de movimentos largos, de movimentações sincronizadas e de uma criatividade dada a solistas de outra estirpe.
quarta-feira, março 16
Dividir, serrar e tirar. Um livro brutal. E belo.
O Fim do Homem Soviético, Svetlana Aleksievitch
domingo, janeiro 24
Purity, de Jonathan Franzen
"... mas para Andrea era como se a Internet fosse principalmente governada pelo medo: o medo da impopularidade e da reprovação, o medo de falhar, o medo do desprezo ou do esquecimento."
quarta-feira, novembro 4
sábado, setembro 19
Por Armamar
Saídos da autoestrada, os últimos 15 quilómetros até Armamar não se esgotaram facilmente. Serpentear por socalcos de vinhedos e pomares numa paisagem estonteante, e por uma estrada que se degradava cada vez mais, fizeram com que duvidássemos do caminho para Armamar.
Dobrado sobre a bengala, um homem gasto descia a rampa da casa.
- Boa tarde, vamos bem para Armamar?
Apoiou a mão nodosa na janela do carro aproximando o ouvido.
- ARMAMAR, vamos bem? - repetimos.
- Para Armamar? Os senhores não são de cá, pois não? Armamar é já aí, ao birar da curva, passam o biaduto e logo bêem … Olhem, benham beber um copo!
quarta-feira, setembro 9
quarta-feira, setembro 2
Por Praga e Viena
Penso que é isto que procuramos numa cidade: uma estrutura arquitectónica, urbanística e paisagística inovadora, que distinga os povos e que preserve uma vivência colectiva única.
Foi isso que encontrei nestas duas capitais do centro europeu. Palmilhei Praga e Viena durante uma semana e verifiquei o que esperava: belas cidades de passado forte e rico. Mas a capital austríaca pareceu-me das mais perfeitas. Surpreendeu-me o requinte e monumentalidade dos edifícios, a quantidade e cuidado com os espaços verdes, a aposta nos diversos tipos de transportes (realce para as bicicletas e o espaço destinado aos peões) e, sobretudo, a maneira como os vienenses vivem descontraidamente a cidade.
sábado, agosto 29
terça-feira, agosto 4
Sebastião Salgado, de novo
segunda-feira, julho 27
O Homem Lento, J. M. Coetzee
"Fala de amor. Não pode ter a certeza, não tem óculos postos, mas dir-se-ia que um rubor vai subindo lentamente pelo pescoço de Marijana acima. Marijana diz que quer que ele se refreie, mas isso é um disparate, ela não pode querer mesmo dizer isso. Qual a mulher que não quereria uma torrente de palavras de amor derramada de vez em quando sobre ela, por mais questionável que seja a sua origem? Marijana está a corar, e pela simples razão de que também ela é lábil. E portanto? O que vem a seguir? Portanto, de facto tudo é coerente! Portanto, por detrás do caos da aparência funciona de facto uma lógica divina! Wayne vem do nada para lhe deixar a perna feita em papa, portanto meses depois ele cai no chuveiro, portanto esta cena torna-se possível: um homem de sessenta anos imobilizado mais ou menos rígido na cama, a tremer intermitentemente, a declamar filosofia à sua enfermeira, a declamar amor. E o sangue agita-se nela, reagindo!"
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