É sempre da América que surge uma luz.
domingo, junho 14
quinta-feira, junho 11
domingo, junho 7
A Paixão de Jesus
Não falemos dos escandalosos dinheiros que auferem as
vedetas da bola, porque neste caso o dinheiro não foi determinante - mais milhão menos milhão em tantos milhões. Mas sim do tão propalado e tão em desuso amor à camisola: Jesus sabe muito bem
que trocou êxitos previsíveis por um futuro incerto e hipotecou uma carreira
internacional a troco de uma paixão que lhe poderá trazer imensos dissabores. Neste ambiente medíocre e de guerra instalado, um acto como este requer muita coragem e muita confiança em si próprio. Mas não é isso que se exige a um Homem?
segunda-feira, maio 11
Eu, Cláudio, de Robert Graves. Um regalo
Um romance histórico maravilhoso contado pelo futuro imperador Cláudio, desprezado pela gaguez e pela aparência. Do sábio Augusto e sua vilã mulher Lívia, ao sádico Tibério, até ao excessivo e louco Calígula.
" - Pelo amor que me tens, Cláudio, faz o que te pedem. Por amor do nosso filho. Eles matam-te, se te recusares. Já mataram Cesónia. Agarraram a filhinha pelos pés e fizeram-lhe saltar os miolos contra um muro.
- Tudo vai correr bem, senhor, logo que te acostumes - disse um soldado, sorrindo. - Não é assim tão desagradável a vida de um imperador.
Não protestei mais. Para quê lutar contra o destino? Carregaram-me pelo pátio de honra, cantando o hino ridículo composto para a subida ao poder de Calígula. Forçaram-me a pôr a coroa de folhas de carvalho feita de ouro. Para conservar o equilíbrio, tinha de me agarrar com toda a força aos ombros dos caporais. A coroa ficara-me em banda, sobre uma orelha. sentia-me perfeitamente ridículo. Assemelhava-me a um criminoso que levavam para a execução. As trombetas entoaram a Saudação Imperial."
...
"Eis-me, pois, imperador. Que tolice! Mas ao menos poderei impor que leiam os meus livros. Audições públicas perante uma numerosa assistência. E sem contar que são bons livros - trinta e cinco anos de assíduo trabalho. É de justiça, apenas."
quarta-feira, abril 29
Uma "Ikea"
Um contraste que não deixa dúvidas a ninguém. Parabéns aos designers da Ikea.
Como reverter esta situação que se generalizou e desfigura as nossas casas? Uma ideia: porque não descer o IMI a quem tem bom gosto (não tem marquises).
sábado, abril 25
Cravos vermelhos
Há uns anos, a propósito do 25 de Abril, escrevi o editorial do jornal escolar.
“Para comemorar o 25 de Abril, pedi duas pequenas histórias aos meus colegas Jorge Santos e Turé Couto que viveram intensamente este período e o anterior. Vale a pena lê-las porque, para além do seu valor literário, os mais velhos recordarão com certeza esse tempo mesquinho e claustrofóbico. Para os mais novos, os nossos alunos, para quem esta data é sobretudo um feriado bastante oportuno, espero que vejam nestas histórias, puras histórias de ficção: ou seja, aos olhos de quem sempre viveu em democracia, pareçam inacreditáveis, irreais, de um tempo que acabou há muito. Será sinal que Abril se vai cumprindo. Não devemos, nesses inquéritos feitos na véspera do dia, estar muito preocupados se eles sabem ou não quem foi o Salgueiro Maia ou o Otelo. Não passamos nós com uma idêntica leveza pelo 5 de Outubro? Seremos menos republicanos por isso? Valorizemos antes, e diariamente, os ideais de Abril e da República – Liberdade, Igualdade e Fraternidade.”
sábado, abril 18
No comment
quinta-feira, abril 2
Cinco dias em Florença
Cinco dias em Florença e os sinais foram por demais
evidentes, arrisco generalizar: a prosperidade económica e cultural ao longo de
tantos séculos nota-se a cada esquina desta magnífica cidade. Uma cidade
pintada pelas cores do rio, de uma riqueza explícita que se manifesta nos palazzos renascentistas, na maneira como
preservaram todo o edificado, como integraram o novo, como é tão óbvio para os florentinos
que o luxo e a arte são eternos, como conservam os seus hábitos quotidianos. É fácil identificá-los. Distinguem-se pela elegância das roupas, pelos passeios de bicicleta no meio do
formigueiro de turistas de telemóvel em riste, pela serenidade com que passeiam
os cães ao final da tarde. Aceitam a avalanche diária com a altivez de quem
sabe pertencer a uma cidade à escala do homem rico e culto.
sexta-feira, março 20
A cambalhota de Messi
`
Para quem perde, a zombaria. Só as vitórias contam. Os louros são sobretudo para quem finaliza. Os jogadores sabem disso. Posam, sabendo que as câmaras os perseguem. O regozijo generaliza-se até à histeria se um túnel acontece. O de Messi foi fantástico, é verdade. E a cambalhota? A cambalhota no final do jogo contra o Manchester City (12:23). De uma eloquência perfeita - a desilusão estampada na relva.quarta-feira, março 4
Felisbela, minha avó
Enviou-me duas fotografias da avó Felisbela. Penso cada vez menos nela, apesar de no meu quarto ter uma fotografia em que ela, ainda jovem, ocupa o centro da família. De tão próximas, as fotografias que temos nas paredes das nossas casas acabam por diluir-se. Com esta não será assim.
Numa das fotografias que me enviou, a minha avó posa para o neto mais velho, meu irmão, sentada na ponta de um dos cadeirões da sala de jantar. Ereta, blusa de seda branca com triângulos pretos, olhar direto no primeiro terço da folha, perfil parcial, sorriso forçado, cabelo cuidado, mão esquerda em cima do joelho - o modelo, a professora Felisbela, seguindo as indicações do cânone do retrato clássico. Não fosse a minha avó ali naquele ambiente familiar e os meus olhos nada reteriam.
Mas a primeira que me enviou, esta que vos mostro, tenho a certeza que o comoveu tanto quanto me comoveu a mim. Senti uma saudade imensa. Fez -me lembrar o autorretrato de Rembrandt, de 1669, ano da sua morte. O mesmo rosto cansado, a serenidade estampada no olhar, a luz perfeita de tons suaves do final de tarde, o claro-escuro meigo reflexo da sua maneira de ser, a mesma dignidade, o olhar introspetivo que me emociona.
segunda-feira, fevereiro 23
Território de lugares-comuns
domingo, fevereiro 15
Oito episódios tão curtos
Subscrever:
Mensagens (Atom)






