A mais séria proposta de Reforma do Estado foi lançada, em jeito de desafio, por Paulo Pedroso na TVI24. Sumariamente: analise-se onde o
Estado gasta mais do que a média europeia em percentagem do PIB e corte-se aí.
A formulação é tão simples que me parece um justo ponto de partida para
qualquer reforma séria. Ou não?
quarta-feira, maio 1
quinta-feira, abril 25
Quando o aristocrático e decrépito Palace Hotel se encheu de pobres
O João e o Di eram
pretos. Conhecíamos outros em Vidago, mas, verdadeiramente, os sobrinhos do padre da paróquia nunca os considerámos como tal. Eram tão ou mais brancos quanto todos nós. Cresceram connosco. Não
contavam.
De um dia para o outro, a descolonização encheu os hotéis
termais de pretos, mesmo que alguns fossem brancos de pele pigmentada pelo
calor das colónias. Mais do que pretos ou brancos, eram pobres. Mais do que pobres era gente sem nada, desgraçada. Via-se no olhar, nas mãos, na postura.
O aristocrático e
decrépito Palace Hotel lotou com centenas de retornados sem família na
metrópole. Famílias inteiras num quarto. Despejadas. Talvez tivessem ficado
deslumbradas com a escadaria e aposentos do hotel real, mas não esperavam por um
inverno daquela dimensão. Geada atrás de geada. Brancas. Cortantes. Corpos
magros colavam-se às paredes dos cafés da vila, encolhidos, de frente para um
sol incapaz de compensar a leveza das roupas coloridas. Desconheciam as lãs, as
samarras, as botas. Quando as adquiriram, não conseguiram esconder
nem o frio nem o desconforto nem o completo abandono.
Habituados à burguesia portuense que ocupava os hotéis nos
três meses de verão, a pequena vila transmontana estranhou os novos habitantes.
Preocupou-se com as consequências da ocupação. Lamentou. Ajudou no
que pode. Alguns lucraram, porque há sempre quem lucre com a desgraça alheia.
Também eu fui beneficiado.
O Sr. Arlindo, homem dedicado à terra e ao futebol juvenil,
descobriu na miudagem recém-chegada o João e o Di. Tinham,
evidentemente, a nossa idade, sabiam jogar à bola e, sobretudo, estampa de
jogadores. O João era possante e de pontapé forte. O Di, de perna arqueada, hábil e rápido - um
estremo à moda antiga. Nunca uma equipa do Vidago F. C. ficara tão
perfeita: tínhamos dois pretos, tal como o Sporting e o Benfica. Se alguém
guardou a fotografia dessa equipa reparou na harmonia da composição, no branco
e preto do equipamento e dos rostos, sorrisos rasgados,
dentes magníficos dos dois angolanos.
E todos os domingos de manhã a alegria e os abraços estavam
à distância ínfima de um golo ou, na falta dele, nada nos aproximou mais que
partilhar a tristeza das derrotas. Coisas de pretos e de brancos.
segunda-feira, abril 15
terça-feira, abril 2
Entre a cólera e a peste
Entre a cólera e a peste há alguns que continuam a manter a inteligência e a lucidez.
sexta-feira, março 22
Mestres do nonsense
Se Samuel Becket conhecesse esta gente que nos representa, talvez a sua ficção tomasse outro rumo. Dificilmente a sua imaginação ultrapassaria os
protagonistas desta longa peça a que assistimos. "Eles não se movem". A inacção e o jogo do empurra a
que assistimos sobre o limite dos mandatos autárquicos são tão absurdos que a não
resolução atempada deste falso problema seria suficiente para dissolver a
Assembleia da República e, em consequência, o pedido de demissão do timoneiro da barca.
quinta-feira, março 21
Janela Indiscreta
Há sensivelmente 30 anos, na Cinemateca, num ciclo de cinema sobre Alfred Hitchcock, coloquei Janela Indiscreta no top dos meus filmes preferidos. Ontem, a convite da minha filha Inês, voltei à Cinemateca para o rever. Rever tanto tempo depois faz com que a ansiedade e a dúvida se instalem: terá resistido à erosão do tempo? A dúvida dissipou-se no primeiro travelling. Começa num gato a subir umas escadas nas traseiras do prédio onde se centram todos os pólos de atracção, e onde todo o mundo cabe, até à janela aberta onde um James Stewart imóvel, de perna engessada, se encontra. Será o voyeur que nos conduzirá ao ritmo e imaginação de Hitchcock. As interpretações pareceram-me, agora, banais, já os diálogos mantêm o bom gosto, a inteligência e frescura de sempre.
terça-feira, março 19
Faz hoje 80 anos
De Engano, (D.Quixote), o último publicado em portugal:
"Para ti, o ideal é quando essas mulheres com emoção não conseguem sequer contar a sua história, antes lutam por conhecer a sua história. É nisso que tu encontras o erotismo. E o exotismo. Cada mulher uma foda, cada foda uma Xerasade. Não foram capazes de ter acesso à sua verdadeira história, e há no facto de a contarem uma espécie de compulsão para completar a vida... e isso tem muito de phatos. Claro que é excitante; o simples fluir do som que elas produzem, a intimidade da conversa, para ti são excitantes. O excitante não está necessariamente nas histórias em si, mas na necessidade que elas têm de as produzir . A matéria bruta, inarticulada, o que está simplesmente latente, é a realidade, nisso tens razão. a vida antes de sobrevir a narrativa é a vida. Elas tentam preencher por palavras próprias o fosso enorme que separo o ato em si da sua transformação em história. E tu ouves com atenção e apressas-te a registar por escrito o que ouves e depois estraga-lo com a tua maldita mania de transformar tudo em ficção."
sexta-feira, março 15
quarta-feira, março 6
Correcções, um poderoso romance
Jonathan Franzen, Correcções
segunda-feira, fevereiro 25
O elogio da imperfeição, José Tolentino de Mendonça
Excerto de uma entrevista ao SOL
No seu livro Nenhum Caminho Será Longo afirma que a perfeição é impossível. Devemos aceitar-nos como somos?
Interessa-me muito mais fazer o elogio da imperfeição. Entender e abraçar a imperfeição, que é muito mais humana e verdadeira. O ideal da perfeição torna-se banal, estandardizado. A imperfeição carrega a singularidade, as marcas biográficas, o que corresponde ao vivido.
Isso não vai contra o ‘não pecarás’?
Gosto desta definição: um santo é um pecador que não desiste. O caminho espiritual que a Igreja propõe é esse, um caminho de maturação, de transformação permanente. Tem a ver com o que podemos dar a cada tempo da nossa vida. Não é o homem que foi feito para a lei, é a lei que é feita para o homem. E é feita para o homem crescer, maturar, ter hipótese de ser em plenitude. A palavra pecado, na sua origem, significa falhar o alvo. O pecado é isso: quando não acertamos no essencial. Mas com essas falhas também se aprende. Tudo é caminho.
É primeiro padre e depois poeta, é primeiro poeta e depois padre, ou a poesia e o sacerdócio são indissociáveis?
Perante uma folha em branco nós não somos nada. A folha em branco exige-nos esse exercício de ignorância. Estamos sempre a começar. O que somos não interessa, o que escrevemos não interessa. Interessa escrever a primeira palavra como se fosse a primeira palavra do mundo. Essa é a experiência da poesia.
domingo, fevereiro 17
Jesualdo não andou pelas bancadas de Alvalade
Jesualdo não andou pelas bancadas de Alvalade, nem pôde. O
estatuto que granjeou e o percurso fora de portas não o permitiram. Se por lá tivesse
andado, teria percebido, desde o início do campeonato, o mau estar dos adeptos pelas
aquisições desastradas dos dirigentes e pelas desconcertantes opções tomadas jogo
após jogo. E o que se dizia pelas bancadas? O óbvio, o que saltava aos olhos de
todos: ponham os miúdos da B com dois ou três da “principal”, não mais, e farão boa figura, justificando, também, o que sobra do Sporting – a Academia.
Jesualdo pareceu-me empurrado para esta solução, mas talvez
a tempo de a assumir e de marcar definitivamente o rumo para o clube.
quarta-feira, fevereiro 13
As preocupações sociais dos nossos banqueiros
"BANCOS VÃO CORTAR MAIS DE 800 POSTOS DE TRABALHO EM 2013"
"... o BES quer reduzir este ano 244 trabalhadores através de rescisões amigáveis e de reformas. No ano passado, o banco perdeu 136 trabalhadores.
O banco liderado por Fernando Ulrich acabou 2012 com menos 258 trabalhadores, ao passo que no banco público saíram mais de 100. O presidente da instituição, José de Matos, disse na apresentação de contas anual que quer continuar a reduzir pessoal mas sem recorrer a uma «política de despedimentos agressiva».
No Santander Totta, de onde saíram 110 trabalhadores em 2012, a intenção é que saiam mais 90 este ano."
Subscrever:
Mensagens (Atom)







.jpg)