Mostrar mensagens com a etiqueta Vida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vida. Mostrar todas as mensagens

domingo, maio 6

De Vidago a Lisboa. Sotto in sù.

41°38¢37²N    7°35¢17²O

41°10¢36² N    7°45¢02²O

40°57¢15² N   7°53¢29²O

40°21¢53² N   8°09¢36²O

40°11¢38² N   8°29¢13²O

39°29¢00² N   8°38¢14²O

39°03¢12² N   8°56¢34²O

38°47¢07² N   9°07¢10²O

38°41¢03² N   9°10¢33²O


domingo, abril 29

Invisível


Sábado, estação de Coina. Acabara de partir. O próximo comboio, só as 14h53. Ao fim de semana é assim. Linha 3. Entrei para uma carruagem literalmente vazia. Estação seguinte, Fogueteiro. Entram três pessoas. Uma, jovem guineense de cara redonda e testa alta, tranças finas, pele sedosa e negra – negra da guiné, percorreu, presa ao telemóvel, toda a carruagem vazia sentando-se à minha frente. Surpreendido com a escolha, ocupei devidamente o meu lugar, disponibilizando parte do exíguo espaço entre nós. Camisa e calças brancas apertavam uma vitalidade transbordante. Nem uma pequena alteração no olhar. O olhar seguia a voz, alta e desinibida. A conversa, colorida, era sobre rapazes angolanos, guineenses e a nova conquista são-tomense, lindo de morrer, dizia. Ria alto, dentes perfeitos. E eu ali. Beijinhos. Silêncio breve. Um ritmo africano devolveu-lhe de novo o samsung rosa. Não atendeu, e riu de novo. Tão brancos. O olhar cruzou o meu, mas olhou para além de mim. A idade torna-me invisível.

quarta-feira, janeiro 25

Sprezzatura



2 anos de recortes. Enquanto o prazer se mantiver, continuarei a recortar aqui e ali realidades que me tocam, perspectivas inesperadas, estados de alma. Recortar com graciosidade, sem aparente esforço é o que almejo – sprezzatura. Não é fácil para mim.
Agradeço a todos os que  por aqui passam.


quarta-feira, novembro 30

Fernando Savater




Algumas ideias do filósofo e escritor Fernando Savater na Feira do Livro de Guadalajara. No El País.

Crisis económica: "En España funciona muy bien una ONG llamada familia".

Indignados."La indignación en principio es lógica cuando hay tantos jóvenes sin futuro. Lo raro es que no haya habido una autocrítica por parte de los ciudadanos. Cuando vivíamos como millonarios nadie se indignaba con el sistema político o económico. Cuando se pinchó la burbuja la gente se indignó porque el sistema ya no daba lo de antes. La indignación no conduce a nada. No se pueden resolver los problemas políticos con ética sino con buenas políticas".

Corrupción:"El verdadero problema no es la corrupción, sino la impunidad, la complacencia y la complicidad de la sociedad. La impunidad tiene un efecto social desmoralizador. Los seres humanos hacemos todo el mal que nos dejan. En los países donde hay menos corrupción es simplemente porque es más difícil. No es un asunto moral, es un problema de instituciones".

Narcotráfico:"Estar a favor de la despenalización de las drogas no es estar a favor de despenalizar el canibalismo. Las democracias americanas no pueden acabar con el tráfico de drogas, pero en cambio sí puede ocurrir al revés. La cruzada contra las drogas es irracional".

Ética: "Los seres humanos no estamos programados como el resto de los seres vivos. Los animales están más especializados que nosotros. No hay abejas surrealistas. Es nuestra imperfección la que nos permite hacer muchas cosas. El problema es qué cosas queremos hacer, qué tipo de personas queremos ser. La ética es la reflexión necesaria de un hombre condenado a la libertad".

sábado, outubro 22

A HORA do BOLO, na RADAR, 97.8



Chef: Inês Barreira (A Inês faz um saboroso bolo de chocolate), 17 anos, Almada



Ingredientes:

At The Drive-In - Cosmonaut
Sufjan Stevens - John Wayne Gacy Jr.
Bass Drum of Death - Get Found
Beirut - The Peacock
David Bowie - TVC15
Dax Riggs - Night Is The Notion
The Cure - Plastic Passion
PAUS- Pelo Pulso
Johnny Flynn - Lost And Found
Sun Glitters - Too much to lose
The Mountain Goats - Jam Eater
Blues Battles - Sweetie & Shag (feat. Kazu Makino)
The Who - Sunrise
Youth Lagoon - Cannons
Zach Hill - The Primitive Talks
The Milkshakes - After Midnight


Sábado 17.00 / Repete Domingo 17.00 (30 Outubro)

quarta-feira, outubro 5

Hostil, mas réptil




O El País tem dado grande relevo ao terceiro casamento da duquesa de Alba de 85 anos. Agora mesmo, o jornal relata em directo todas as notícias relativas à boda de Cayetana de Alba com Alfonso Díez, "Les separa su posición social y económica pero les une el arte". O poder da Arte. E é nesta perspectiva que devemos compreender todo este frenesim noticioso à volta deste casamento e das consequências na divisão do imenso património. Em suma, enquadremos também o feio nessa  perspectiva, mais romântica.

“Amo-te não só porque és disforme, mas também porque és abjecto. Amo o monstro e amo o histrião. Um amante humilhado, escarnecido, grotesco, horrível, exposto aos risos naquele pelourinho chamado teatro, tudo isto tem um gosto extraordinário. (…) Ah! Sou feliz, eis-me decaída. Gostaria que todos pudessem saber quanto sou abjecta. Prostrar-se-iam ainda mais, porque quanto mais detestam, mais rastejam. O género humano é feito assim. Hostil, mas réptil. Dragão, mas verme. Oh! Sou tão depravada como os deuses (…)”    
  Victor Hugo, O homem que ri (1869)


*Ao ver a duquesa, associo-a imediatamente à rainha de Tunes, pintada por Quentin Massys (1513).


segunda-feira, agosto 8

À beira-mar, Rentes de Carvalho


Já no século IV a. C., Platão constatara que mais cedo ou mais tarde todos temos que nos vestir. Rentes de Carvalho com a sua perspicácia e ironia habituais confirma-o na praia.

À beira-mar
Nunca fui de beira-mar ou praias, não só pelo marulhar constante, a inquietude das ondas, a brisa e a areia, mas pelo espectáculo da humanidade desnuda.
É grande o respeito que me merece o semelhante, e desde há muito considero o vestuário um dos atributos que mais têm contribuído para a harmonia da sociedade e a paz dos olhares. Daí que a praia se me afigure a versão moderna de uma Cour des Miracles medieval. Os corpos que não ferem os olhos ou os alegram, são gota de água no Oceano Pacífico da exposição praticamente nua de adiposidades, fealdades e porcalhice, de modo que uma passagem pela praia – as minhas só por razões de ofício – tem consequências graves para o sossego da alma, o sono da noite e o respeito que devo ao próximo.
Enquanto tenho de estar e presenciar, incomoda-me a passividade daquela massa que, espichada ao sol, involuntariamente provoca a imaginação de horrendas cópulas, hábitos vis, atitudes indecentes, satisfações alvares, peidos e arrotos.
Dêem-me a rua e a roupa.


Rentes de Carvalho, aqui

segunda-feira, abril 18

Hola

Urbanidade. É o que me ocorre depois de cinco dias em Barcelona. No dicionário: «conjunto de formalidades, de palavras e actos que os cidadãos (a cidade) adoptam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, civilidade, cortesia»

terça-feira, março 8

Carnaval no Rio

Vitrúvio (séc I a.C.), seguindo a tradição grega, estabeleceu as exactas proporções da figura humana: a face devia ser 1/10 do comprimento total, a cabeça 1/8, o comprimento do tórax 1/4, .... Nos nossos dias, utilizando o cânone clássico, chegaríamos inevitavelmente à lindíssima Gisele Bündchen para rainha do carnaval.

Mas, vendo bem, as proporções da brasileira Gisele não se enquadram à luz do cânone carioca, pois não?

terça-feira, março 1

domingo, outubro 3

sexta-feira, julho 16

O regresso das sapatilhas Sanjo


Se me perguntassem como vestia nos anos da minha adolescência diria, sem hesitação, que me sentia bem vestido quando andava com as minhas calças de ganga Lois, compradas em Verin ou Feces de Abajo, e as minhas sapatilhas Sanjo. Foi assim comigo e com uma grande parte dos meus amigos. As cores eram o branco ou preto, mas só as primeiras ficavam bem e após algumas lavagens ganhavam o tom que as faziam únicas. O design era muito original, a lona bem colada à borracha canelada, as palmilhas altas e macias tornavam-nas frescas e confortáveis, as protecções laterais dos tornozelos davam-lhe robustez. Vou comprar.