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quinta-feira, agosto 3

Entrevista com Souto Moura, no DN

DN

Coloco-a aqui para ser mais fácil encontrá-la.

"Se ficar feio não se resolveu o problema. O que é feio não funciona. Um avião feio cai. Um barco feio não flutua. O bonito funciona sempre. A construção responde a umas funções. Se for agradável, se as pessoas se sentirem bem, se fornecer emoções, tem essa mais-valia: deixa de ser construção e passa a ser arquitetura."

segunda-feira, maio 22

Do Museu Nacional de Arte Antiga à Gulbenkian


Foi uma surpresa ver o Museu Nacional de Arte Antiga cheio, apesar de saber que se comemorava o dia internacional dos museus e a entrada ser gratuita. Os salões perderam o silêncio habitual; a noite esteve quente, a fazer inveja aos melhores dias de verão, e uma ligeiríssima brisa desprendeu preguiçosamente milhares de flores dos jacarandás num jardim repleto de gentes de várias paragens; os alunos do Chapitô fizeram o que puderam.
Sempre achei que era nesta direção que os museus deveriam seguir: um lugar de oferta multifacetada onde o património material ocupa um lugar de relevo.
Recordo-me, quando aluno de escultura das Belas Artes, de uma proposta para um projeto de um parque infantil para a Fundação Calouste Gulbenkian. Pretendia atingir esses objetivos e, sobretudo, criar hábitos às crianças mais novas tornando esses espaços familiares. Todas as peças do parque infantil teriam como ponto de partida a escultura de Henry Moore da Fundação e seriam pensadas e moldadas de acordo com as necessidades lúdicas e o espírito dos mais pequenos. Em vão, não passou no crivo de um mestre a quem eu esqueci o nome. Já nessa altura, o cheiro bafiento que se instalara continuava a impregnar a cabeça de muitos zeladores de um património esconso.

sexta-feira, março 3

ITMOI, pela Companhia Nacional de Bailado



 Se juntarmos bons bailarinos, uma coreografia audaz, cenografia minimalista, com soluções a tocar no Cirque du Soleil e, claro, em boa companhia, só pode dar um belo espectáculo. No Teatro Camões.

quinta-feira, abril 2

Cinco dias em Florença



Cinco dias em Florença e os sinais foram por demais evidentes, arrisco generalizar: a prosperidade económica e cultural ao longo de tantos séculos nota-se a cada esquina desta magnífica cidade. Uma cidade pintada pelas cores do rio, de uma riqueza explícita que se manifesta nos palazzos renascentistas, na maneira como preservaram todo o edificado, como integraram o novo, como é tão óbvio para os florentinos que o luxo e a arte são eternos, como conservam os seus hábitos quotidianos. É fácil identificá-los. Distinguem-se pela elegância das roupas, pelos passeios de bicicleta no meio do formigueiro de turistas de telemóvel em riste, pela serenidade com que passeiam os cães ao final da tarde. Aceitam a avalanche diária com a altivez de quem sabe pertencer a uma cidade à escala do homem rico e culto.

domingo, fevereiro 15

Oito episódios tão curtos


Oito episódios intensos que exigem do espectador uma atenção especial a todos os pormenores. Diálogos cuidados e densos e Woody Harrelsson e Matthew McConaughey em estado de graça. A investigação sobre os crimes numa região do Louisiana dá primazia ao desenrolar das complexas personalidades dos dois detetives. Neste sentido, a narrativa dá tantos saltos no tempo que oferece uma panorâmica ainda mais ampla da forma como evoluem as personagens. Que pena ser tão curta. E a banda sonora? Tão bela. Tão curta.

sexta-feira, fevereiro 6

A sério?, uma hora rindo, no S. Luiz


Também não arriscámos: sabíamos que os Dead Combo não desiludiriam; conheço e aprecio o trabalho gráfico de António Jorge Gonçalves; faltava confirmar se Nuno Artur Silva, o gajo do Eixo, guionista e novo homem da programação da RTP, seria capaz do desafio e nos retirar o ar sisudo da desconfiança. Conseguiu, foram muito bons.
 Agora, "A sério?", "a verdade é que logo se verá".

domingo, julho 13

Terra, Olga Roriz

S. Paiva, Público

Diz António Lobo Antunes que um dos sinais mais fiáveis para avaliarmos se uma peça de teatro é ou não é boa manifesta-se pelo doer do rabo na cadeira. Depois do brilhante Orfeu e Euridice, Olga  Roriz apresentou a sua última criação, Terra, no CCB, e a dificuldade em arranjar uma boa posição durante a longa perfomance foi desesperante. Mais do que a magia do bailado, porque é disso que os bailados se fazem - de magia e comunicação, centramo-nos exclusivamente na capacidade física dos bailarinos, autênticos atletas de alta competição, e ficamos admirados com a tremenda exigência física a que são submetidos. Dança pela dança parece muito pouco para um leigo como eu. Muito pouco.

segunda-feira, abril 14

Regresso às Belas-Artes.

Rita

(7.ª EDIÇÃO – GAB-A GALERIAS ABERTAS DAS BELAS-ARTES)

O amarelo forte fica-lhe bem. Na entrada, procurei a escultura do Laocoonte e percebi de imediato que pouco mudara: os magníficos gessos expostos continuam estranhamente mal conservados. O acesso aos pisos superiores continua a fazer-se, à direita e à esquerda, por dois lances de escadas largas e polidas pelos anos e, como todos os alunos da Escola durante tantas gerações, também a Rita optou pelo lado esquerdo. Percorri os longos corredores de cicerone entrando nas salas de pintura, de desenho, de modelo e pareceram-me exactamente iguais: os mesmos estiradores, o chão e as paredes marcados pela tinta, as janelas claras e profundas viradas a sul, as paredes larguíssimas do convento, os trabalhos expostos aparentemente acabados de fazer. Agradou-me ver que a figura humana continua a ser a base de trabalho de formação.

Recordei-me deste "recorte" de José Cardoso Pires:
“ Em arte só se pode esquecer, sabendo; só assim se torna possível corromper o discurso para o renovar e lhe dar dimensões mais vivas. Assim fizeram os grandes mestres pintores dos nossos dias. Corromperam porque conheciam a gramática da imagem para a enriquecer com novas leituras e com novas confrontações com o real.”


sexta-feira, abril 4

Gauguin teria gostado


O maior elogio que se pode fazer a uma obra de arte, fê-lo o operário reformado italiano ao manter durante 40 anos uma pintura pelo "valor facial". Pendurá-lo na cozinha foi, seguramente, o melhor local para este Fruits sur une table. Gauguin teria aprovado. 
Agora que o levaram, como ficará a cozinha? Pintará o rectângulo que sobra na parede? Com que se pinta a ausência súbita do que nos acompanhou durante tanto tempo?

segunda-feira, março 17

Orfeu e Eurídice, Companhia Nacional de Bailado



Para além da frivolidade que lhe está inerente, o facebook é sobretudo um espaço de partilha: vê o que eu vejo; gosta do que eu gosto; lê o que eu leio... Segui a sugestão da Alexandra e estive no Teatro Camões para o magnífico Orfeu e Eurídice. A coreografia de Olga Roriz mexe connosco, pura emoção, deslumbramento; a músicacom orquestra e coro presentes,  duplicou o prazer do espectáculo; os figurinos de uma simplicidade e equilíbrio surpreendentes; e a luz, num cenário completamente negro, desenhou espaços, marcou ritmos, deu protagonismo.  

segunda-feira, dezembro 23

Obra Prima, de Gabriela Canavilhas




Quem sintoniza a SIC Notícias já esbarrou com certeza em OBRA PRIMA, de Gabriela Canavilhas - 5 minutos pelos tesouros da arte portuguesa. A voz, o ritmo, o fundo musical, a fotografia, a atenção ao pormenor, a selecção das obras são de uma elegância sem par.

sábado, fevereiro 2

10 entre 70



10 arquitectos portugueses, entre 70, nomeados pela ArchDaily para os prémios de arquitectura 2012.
Em entrevista à RTPi, há um mês sensivelmente, Eduardo Souto Moura reconhecia, entusiasmado, a grande qualidade dos novos arquitectos portugueses e, ingenuamente, estranhava não terem qualquer visibilidade no nosso país.
Tudo isto é, evidentemente, o reflexo do investimento continuado na educação e, desde há muitos anos, fruto da procura massiva dos cursos de arquitectura. As médias de acesso às faculdades de arquitectura situam-se desde há muito tempo num patamar elevadíssimo. Para lá de uma enorme capacidade de trabalho que estes alunos demonstram, este reconhecimento é também consequência de uma formação plural e multifacetada, num certo ideal  renascentista - de que nada, absolutamente nada, devemos ignorar.  Não estranho, por isso, os resultados atingidos nem as palavras do nosso arquitecto laureado. Numa altura em que a aposta ministerial se centra exclusivamente no ler, escrever e contar, recordo o aviso de Baltasar Castiglione (1528) na educação ideal de qualquer indivíduo: "Há ainda um aspecto que julgo de grande importância: trata-se da arte do Desenho...".
Uma nota: a Faculdade de Arquitectura do Porto distingue-se e é uma referência a nível mundial porque leva à letra as palavras deste homem do renascimento.

sexta-feira, novembro 16

Almanaque de Jorge Silva


"Um folclórico mafarrico de crista moicana, dentuça arreganhada e rabo de arpão está prestes a entregar a alma ao Criador, subjugado por um branquíssimo caçador de impecável fatiota bávara, o que revela a visão premonitória do ilustrador." Em Almanaque Silva, um blog incontornável para quem gosta de ilustração

domingo, novembro 4

João Reis, Shylock


Numa área urbana pouco qualificada, o Teatro Azul de Almada dá mostras evidentes de não ter requalificado o espaço. Integrou-se. Mais um exemplo de originalidade não ser sinónimo de bom gosto.

Em cena a obra de William Shakespeare, Mercador de Veneza. Uma bela interpretação de João Reis (Shylock, o judeu).

ANTÓNIO — Ainda agora pudera novamente dar-te o nome de cão, de minha porta tocar-te a pontapés, cuspir-te o rosto. Se queres emprestar-nos teu dinheiro, não o faças como a amigos — em que tempo a amizade cobrou do amigo juros de um metal infecundo? — antes o empresta como a teu inimigo, pois no caso de vir ele a faltar com o pagamento, com mais alegre rosto hás de extorquir-lhe tudo o que te dever.
SHYLOCK — Ora essa! Vede como vos exaltais! É meu desejo prestar-vos um obséquio, conquistar-vos a amizade, esquecer-me das injúrias com que me maculastes, suprir vossa necessidade, sem tirar proveito nenhum do meu dinheiro. No entretanto, não me quereis ouvir. E amiga a oferta.