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quarta-feira, janeiro 15
quarta-feira, maio 23
quinta-feira, agosto 3
Entrevista com Souto Moura, no DN
Coloco-a aqui para ser mais fácil encontrá-la.
"Se ficar feio não se resolveu o problema. O que é feio não funciona. Um avião feio cai. Um barco feio não flutua. O bonito funciona sempre. A construção responde a umas funções. Se for agradável, se as pessoas se sentirem bem, se fornecer emoções, tem essa mais-valia: deixa de ser construção e passa a ser arquitetura."
segunda-feira, maio 22
Do Museu Nacional de Arte Antiga à Gulbenkian
Foi uma surpresa ver o Museu Nacional de Arte Antiga cheio, apesar de saber que se comemorava o dia internacional dos museus e a entrada ser gratuita. Os salões perderam o silêncio habitual; a noite esteve quente, a fazer inveja aos melhores dias de verão, e uma ligeiríssima brisa desprendeu preguiçosamente milhares de flores dos jacarandás num jardim repleto de gentes de várias paragens; os alunos do Chapitô fizeram o que puderam.
Sempre achei que era nesta direção que os museus deveriam seguir:
um lugar de oferta multifacetada onde o património material ocupa um lugar de
relevo.
Recordo-me, quando aluno
de escultura das Belas Artes, de uma proposta para um projeto de um parque infantil para a Fundação Calouste Gulbenkian. Pretendia atingir esses objetivos e, sobretudo, criar hábitos às crianças mais novas tornando esses espaços familiares. Todas as peças do parque infantil teriam como ponto de partida a escultura de Henry Moore da Fundação e seriam pensadas e moldadas de acordo com as necessidades lúdicas e o espírito dos mais
pequenos. Em vão, não passou no crivo de um mestre a quem eu esqueci o nome. Já nessa altura, o cheiro bafiento que se instalara continuava a
impregnar a cabeça de muitos zeladores de um património esconso.
sexta-feira, março 3
ITMOI, pela Companhia Nacional de Bailado
quinta-feira, abril 2
Cinco dias em Florença
Cinco dias em Florença e os sinais foram por demais
evidentes, arrisco generalizar: a prosperidade económica e cultural ao longo de
tantos séculos nota-se a cada esquina desta magnífica cidade. Uma cidade
pintada pelas cores do rio, de uma riqueza explícita que se manifesta nos palazzos renascentistas, na maneira como
preservaram todo o edificado, como integraram o novo, como é tão óbvio para os florentinos
que o luxo e a arte são eternos, como conservam os seus hábitos quotidianos. É fácil identificá-los. Distinguem-se pela elegância das roupas, pelos passeios de bicicleta no meio do
formigueiro de turistas de telemóvel em riste, pela serenidade com que passeiam
os cães ao final da tarde. Aceitam a avalanche diária com a altivez de quem
sabe pertencer a uma cidade à escala do homem rico e culto.
domingo, fevereiro 15
Oito episódios tão curtos
sexta-feira, fevereiro 6
A sério?, uma hora rindo, no S. Luiz
Agora, "A sério?", "a verdade é que logo se verá".
domingo, julho 13
Terra, Olga Roriz
sábado, abril 19
segunda-feira, abril 14
Regresso às Belas-Artes.
(7.ª EDIÇÃO – GAB-A GALERIAS ABERTAS DAS BELAS-ARTES)
O amarelo forte fica-lhe bem. Na entrada, procurei a escultura do Laocoonte e percebi de imediato que pouco mudara: os magníficos gessos expostos continuam estranhamente mal conservados. O acesso aos pisos superiores continua a fazer-se, à direita e à esquerda, por dois lances de escadas largas e polidas pelos anos e, como todos os alunos da Escola durante tantas gerações, também a Rita optou pelo lado esquerdo. Percorri os longos corredores de cicerone entrando nas salas de pintura, de desenho, de modelo e pareceram-me exactamente iguais: os mesmos estiradores, o chão e as paredes marcados pela tinta, as janelas claras e profundas viradas a sul, as paredes larguíssimas do convento, os trabalhos expostos aparentemente acabados de fazer. Agradou-me ver que a figura humana continua a ser a base de trabalho de formação.Recordei-me deste "recorte" de José Cardoso Pires:
“ Em arte só se pode esquecer, sabendo; só assim se torna possível corromper o discurso para o renovar e lhe dar dimensões mais vivas. Assim fizeram os grandes mestres pintores dos nossos dias. Corromperam porque conheciam a gramática da imagem para a enriquecer com novas leituras e com novas confrontações com o real.”
sexta-feira, abril 4
Gauguin teria gostado
O maior elogio que se pode fazer a uma obra de arte, fê-lo o operário reformado italiano ao manter durante 40 anos uma pintura pelo "valor facial". Pendurá-lo na cozinha foi, seguramente, o melhor local para este Fruits sur une table. Gauguin teria aprovado.
Agora que o levaram, como ficará a cozinha? Pintará
o rectângulo que sobra na parede? Com que se pinta a ausência súbita do que nos
acompanhou durante tanto tempo?
segunda-feira, março 17
Orfeu e Eurídice, Companhia Nacional de Bailado
Para além da frivolidade que lhe está inerente,
o facebook é sobretudo um espaço de partilha:
vê o que eu vejo; gosta do que eu gosto; lê o que eu leio... Segui a sugestão
da Alexandra e estive no Teatro Camões para o magnífico Orfeu e Eurídice. A coreografia
de Olga Roriz mexe connosco, pura emoção, deslumbramento; a
música, com orquestra e coro presentes, duplicou o prazer do espectáculo; os figurinos de uma
simplicidade e equilíbrio surpreendentes; e a luz, num cenário
completamente negro, desenhou espaços, marcou ritmos, deu protagonismo.
segunda-feira, dezembro 23
Obra Prima, de Gabriela Canavilhas
Quem sintoniza a SIC Notícias já esbarrou com certeza em OBRA PRIMA, de Gabriela Canavilhas - 5 minutos pelos tesouros da arte portuguesa. A voz, o ritmo, o fundo musical, a fotografia, a atenção ao pormenor, a selecção das obras são de uma elegância sem par.
sábado, fevereiro 2
10 entre 70
Em entrevista à RTPi, há um mês sensivelmente, Eduardo Souto Moura reconhecia, entusiasmado, a grande qualidade dos novos arquitectos portugueses e, ingenuamente, estranhava não terem qualquer visibilidade no nosso país.
Tudo isto é, evidentemente, o reflexo do investimento continuado na educação e, desde há muitos anos, fruto da procura massiva dos cursos de arquitectura. As médias de acesso às faculdades de arquitectura situam-se desde há muito tempo num patamar elevadíssimo. Para lá de uma enorme capacidade de trabalho que estes alunos demonstram, este reconhecimento é também consequência de uma formação plural e multifacetada, num certo ideal renascentista - de que nada, absolutamente nada, devemos ignorar. Não estranho, por isso, os resultados atingidos nem as palavras do nosso arquitecto laureado. Numa altura em que a aposta ministerial se centra exclusivamente no ler, escrever e contar, recordo o aviso de Baltasar Castiglione (1528) na educação ideal de qualquer indivíduo: "Há ainda um aspecto que julgo de grande importância: trata-se da arte do Desenho...".
Uma nota: a Faculdade de Arquitectura do Porto distingue-se e é uma referência a nível mundial porque leva à letra as palavras deste homem do renascimento.
segunda-feira, dezembro 31
domingo, novembro 18
sexta-feira, novembro 16
Almanaque de Jorge Silva
domingo, novembro 4
João Reis, Shylock
Numa área urbana pouco qualificada, o Teatro Azul de Almada dá mostras evidentes de não ter requalificado o espaço. Integrou-se. Mais um exemplo de originalidade não ser sinónimo de bom gosto.
Em cena a obra de William Shakespeare, Mercador de Veneza. Uma bela interpretação de João Reis (Shylock, o judeu).
ANTÓNIO — Ainda agora pudera novamente dar-te o nome de
cão, de minha porta tocar-te a pontapés, cuspir-te o rosto. Se queres
emprestar-nos teu dinheiro, não o faças como a amigos — em que tempo a amizade
cobrou do amigo juros de um metal infecundo? — antes o empresta como a teu
inimigo, pois no caso de vir ele a faltar com o pagamento, com mais alegre
rosto hás de extorquir-lhe tudo o que te dever.
SHYLOCK — Ora essa! Vede como vos exaltais! É meu desejo
prestar-vos um obséquio, conquistar-vos a amizade, esquecer-me das injúrias com
que me maculastes, suprir vossa necessidade, sem tirar proveito nenhum do meu
dinheiro. No entretanto, não me quereis ouvir. E amiga a oferta.
quinta-feira, novembro 1
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